Ataque russo mata cinco às vésperas de trégua; Ucrânia denuncia 'cinismo absoluto'
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusou a Rússia de demonstrar um 'cinismo absoluto' ao lançar uma onda de ataques que deixou pelo menos cinco mortos, justamente na véspera da trégua anunciada por ambas as partes. O Exército russo disparou 11 mísseis balísticos e 164 drones contra o território ucraniano durante a noite, conforme informou a Força Aérea ucraniana.
Na região central de Poltava, um ataque combinado de drones e mísseis resultou em quatro mortos e 37 feridos, segundo o governo local. Em Kharkiv, no nordeste, uma pessoa morreu e duas ficaram feridas, de acordo com a Procuradoria. 'É de um cinismo absoluto pedir um cessar-fogo para organizar celebrações propagandísticas, enquanto lança ataques todos os dias com mísseis e drones', declarou Zelensky durante uma visita ao Bahrein.
Descompasso de tréguas
A Ucrânia decretou um cessar-fogo a partir desta quarta-feira, 6 de maio, enquanto a Rússia anunciou unilateralmente uma trégua para os dias 8 e 9 de maio, com o objetivo de celebrar no sábado, em Moscou, o desfile do Dia da Vitória, que comemora o triunfo soviético sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. As tréguas ocorrerão mais de três semanas após um cessar-fogo de 32 horas durante a Páscoa ortodoxa, que foi violado repetidamente, embora a interrupção dos ataques aéreos de longo alcance tenha sido respeitada.
Kiev advertiu que responderia a qualquer ofensiva durante a nova pausa. 'Vamos agir de forma recíproca a partir desse momento', alertou Zelensky. Moscou, por sua vez, ameaçou lançar 'um ataque em larga escala com mísseis' contra a Ucrânia em caso de violação. 'Se o regime de Kiev tentar implementar seus planos criminosos para perturbar as celebrações do 81º aniversário da Vitória na Grande Guerra Patriótica, as Forças Armadas russas lançarão um ataque massivo de mísseis em represália contra o centro de Kiev', advertiu o Ministério da Defesa russo.
Estratégia
Segundo o analista político ucraniano Volodymyr Fessenko, o anúncio de uma trégua por parte de Kiev é uma manobra tática nos âmbitos 'informativo e político'. 'Se a Rússia não respeitar o nosso cessar-fogo, temos o direito de não respeitar o deles. Isso anula a iniciativa de Putin', afirmou à agência AFP. Fessenko acrescentou considerar 'quase certo' que nenhum cessar-fogo será plenamente respeitado.
A Ucrânia, em resposta à intensificação dos bombardeios nas últimas semanas, multiplicou os ataques com drones contra o território russo. Um dispositivo recentemente destruiu a fachada de um edifício residencial de luxo na zona oeste da capital russa.
Pausa curta
A Ucrânia pede há muito tempo uma trégua prolongada na frente de batalha para facilitar as negociações e alcançar um acordo que encerre permanentemente o conflito, desencadeado pela invasão russa de fevereiro de 2022, o mais violento na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Moscou rejeita a ideia, argumentando que um cessar-fogo mais amplo permitiria a Kiev reforçar suas defesas.
'A paz não pode esperar por desfiles e comemorações. Se Moscou está disposta a acabar com as hostilidades, pode fazê-lo amanhã à noite', reagiu o chefe da diplomacia ucraniana, Andrii Sibiga, na segunda-feira. 'Em 6 de maio, veremos se Moscou fala sério e o que realmente quer: paz ou desfiles militares', acrescentou.
Os anúncios acontecem no momento em que o governo dos Estados Unidos desvia sua atenção para a guerra no Oriente Médio, após seus esforços para tentar acabar com o conflito na Ucrânia. Também ocorrem em um contexto delicado para o Exército russo na frente de batalha. A zona controlada pelos russos na Ucrânia foi reduzida em quase 120 quilômetros quadrados em abril, algo que não acontecia desde a contraofensiva ucraniana no segundo semestre de 2023, segundo uma análise da AFP baseada em dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW).



