Após ser alvo de uma tentativa de ataque durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, o presidente Donald Trump se empenha para resolver dois problemas: desviar a atenção da ultracriticada guerra no Irã e reverter a impopularidade recorde. O incidente ocorreu no hotel Hilton, mesmo local do atentado contra Ronald Reagan em 1981. O atirador, um professor da Califórnia, foi impedido pelos agentes e responde por tentativa de assassinato. Trump, que viu sua popularidade cair para 33% — a mais baixa em 80 anos para um presidente americano neste estágio do mandato —, aproveitou o ensejo para defender um projeto controverso: um salão de festas blindado para 1.000 pessoas na Casa Branca, ao custo de 400 milhões de dólares, já alvo de bloqueios judiciais.
Discurso de ódio e polarização
Trump culpou os democratas pelo atentado, afirmando que o discurso de ódio da oposição é o maior perigo. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, ecoou o presidente ao denunciar o culto ao ódio da esquerda. O bilionário Elon Musk também se manifestou, alertando sobre as consequências caso a oposição conquiste o poder. Trump busca reengajar sua base conservadora, descrevendo o atirador como um anticristão, embora o manifesto do suspeito indique o contrário. O presidente também tem direcionado críticas ao papa Leão XIV, que defendeu a paz no Oriente Médio, o que pode afetar sua popularidade entre os cristãos, que representam 62% do eleitorado.
Desafios externos
No plano externo, Trump enfrenta um impasse diplomático com o Irã, que suspendeu encontros diretos até que os EUA encerrem o bloqueio naval no Estreito de Ormuz. Uma nova proposta de paz iraniana foi descartada por não abordar o programa nuclear. O presidente também lida com a tensão com aliados, como o Reino Unido e a Alemanha, após críticas à guerra no Oriente Médio. O rei Charles III visitou Washington para celebrar os 250 anos da independência americana, tentando suavizar as relações. Enquanto isso, Israel continua bombardeando o Líbano, rompendo o cessar-fogo, o que já causou 2.500 mortos, incluindo dois brasileiros. Trump troca hostilidades com o Irã nas redes sociais, incluindo um post em que aparece armado com fuzil e ameaça: Chega de ser bonzinho.



