Defesa de lobista do STJ alega falta de acesso a laudo médico da PF em caso de venda de sentenças
Defesa de lobista do STJ diz não ter laudo médico da PF

Defesa de lobista do STJ contesta falta de acesso a provas em investigação da PF

A defesa do lobista e empresário Andreson de Oliveira Gonçalves, alvo de uma investigação por um suposto esquema de venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça (STJ), alega não ter tido acesso a um laudo médico que fundamentou seu retorno à prisão em novembro do ano passado. O caso ganha destaque nesta sexta-feira, quando a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) inicia, em plenário virtual, a análise de um recurso apresentado pelos advogados contra a medida prisional.

Questão de saúde e nova detenção

Andreson Gonçalves estava em prisão domiciliar devido a questões de saúde, mas foi detido novamente com base em uma avaliação médica realizada pela Polícia Federal durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão em sua residência. No entanto, conforme argumenta a defesa, o laudo que registra essa avaliação nunca foi disponibilizado formalmente, nem mesmo juntado aos autos do processo antes ou depois da decretação da custódia.

Os advogados destacam que esse documento constituiu o fundamento determinante para o novo decreto prisional preventivo, mas a falta de acesso compromete o exercício do contraditório, princípio fundamental do direito à ampla defesa. "Circunstância que desde então compromete o exercício do contraditório", afirmam os representantes legais em suas alegações.

Julgamento no STF e próximos passos

O recurso contra a prisão será julgado no período de 6 a 13 de fevereiro, com o ministro Cristiano Zanin atuando como relator do caso. A defesa questiona a realização do julgamento sem que tenham tido a oportunidade de examinar as provas que levaram à nova detenção, levantando dúvidas sobre a transparência e a legalidade do processo.

Este caso ilustra as complexidades envolvendo investigações de alto perfil no sistema judiciário brasileiro, onde o acesso a provas e a garantia de direitos processuais são temas centrais. A expectativa é que o STF esclareça essas questões, definindo um precedente para situações similares no futuro.