Justiça cassa mandato de vereadora em Moreira Sales por compra de votos
Vereadora de Moreira Sales tem mandato cassado por compra de votos

Vereadora de Moreira Sales perde mandato após condenação por compra de votos

O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) cassou o mandato da vereadora Priscilla Lorejan Melo de Assis (PSD) de Moreira Sales, no centro-oeste do estado. A decisão, publicada na última sexta-feira (20), também a declarou inelegível por oito anos devido à participação em um esquema de compra de votos que envolvia beneficiários de programas sociais.

Condenação e recurso

A sentença foi proferida pela juíza eleitoral Maria Ângela Carobrez Franzini, que determinou a cassação do diploma eleitoral de Priscilla. A vereadora, que foi a mais votada nas eleições municipais de 2024 com 674 votos, afirmou que "recebeu a decisão com tranquilidade e está recorrendo, pois não cometeu nenhum ilícito". Ela também destacou que "testemunhas do Ministério Público confirmaram que não receberam nenhum valor em espécie das mãos dela ou de outra pessoa".

Investigação do Ministério Público

A ação foi proposta pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR), que investigou abuso de poder econômico e político nas eleições de 2024. Durante o processo, o prefeito e o vice-prefeito de Moreira Sales foram citados, mas foram inocentados por falta de provas sobre seu conhecimento do esquema. Uma servidora do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) foi identificada como participante do esquema, e tanto ela quanto Priscilla foram multadas em R$ 53.205 cada uma.

Funcionamento do esquema

Segundo o MP, a servidora do CRAS usou seu cargo para favorecer a candidatura de Priscilla, utilizando recursos financeiros não declarados na campanha. "As investigações demonstraram que a servidora abordava eleitores, muitos deles beneficiários de programas de assistência social, e oferecia R$ 100 a pretexto de um suposto trabalho no dia da eleição, que consistia em votar nos candidatos indicados e realizar propaganda irregular, como 'boca de urna'", explicou o órgão.

A servidora aproveitou o acesso aos dados cadastrais de beneficiários do Bolsa Família para recrutar eleitores em situação de vulnerabilidade social e seus familiares. Além do pagamento em dinheiro, foram oferecidas outras vantagens, como:

  • Cestas básicas
  • Combustível
  • Pagamento de contas

A decisão do TRE-PR considerou que a vereadora tinha conhecimento de todas essas situações, contradizendo sua alegação de desconhecimento. O caso evidencia a gravidade das práticas de compra de votos e o rigor da Justiça Eleitoral em coibi-las, especialmente quando envolvem populações vulneráveis.