PEC da Segurança Pública pode avançar no Congresso mesmo com PL Antifacção travando pauta
PEC da Segurança avança mesmo com PL Antifacção travando pauta

PEC da Segurança Pública mantém tramitação mesmo com projeto Antifacção travando pauta da Câmara

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública pode seguir seu curso normal no Congresso Nacional, mesmo com o projeto de lei (PL) Antifacção trancando a pauta da Câmara dos Deputados desde esta quinta-feira (19). O líder do governo na Casa, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou à GloboNews que o governo não deve retirar a urgência constitucional da matéria, o que mantém o trancamento da pauta.

Como funciona o trancamento de pauta por urgência constitucional

A chamada urgência constitucional estabelece um prazo máximo de 45 dias para tramitação em cada Casa Legislativa, com mais 10 dias adicionais caso o texto seja alterado na Casa revisora. Se não for retirada a urgência após esse período, o projeto passa a trancar a pauta, impedindo a votação de outras matérias até sua apreciação.

Na prática, isso significa que projetos de lei comuns ficam impedidos de votação no plenário enquanto o projeto com urgência não for analisado. Entretanto, com o trancamento da pauta, apenas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) e Medidas Provisórias (MP) podem ser analisadas. Portanto, mesmo com a pauta trancada pelo PL Antifacção, o plenário poderá analisar a PEC da Segurança Pública sem que o projeto Antifacção seja votado antes.

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Andamento da PEC da Segurança Pública

A PEC, relatada pelo deputado da oposição Mendonça Filho (União-PE), já passou pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e aguarda votação em uma comissão especial antes de seguir para o plenário. Havia expectativa de que a proposta fosse aprovada na comissão especial no final de dezembro, mas a falta de acordo adiou a análise para 2026.

Enviada pelo governo Lula ao Congresso em abril de 2025, a PEC da Segurança Pública cria mecanismos para integrar forças de segurança pública do país. O texto trata da ampliação das competências da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), além de propor uma reforma na gestão do sistema prisional.

Para ser aprovada, uma PEC precisa do apoio mínimo de três quintos dos deputados e senadores, em dois turnos de votação em cada Casa. Após a aprovação na Câmara, o texto segue para o Senado, onde também precisa passar por dois turnos. A expectativa é que a Câmara analise a proposta ainda no início de março.

Calendário de votações e articulações políticas

Líderes partidários devem se reunir com o presidente da Casa, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), na próxima segunda-feira (23) para definir um calendário para a apreciação da matéria. Durante reunião entre líderes, Mendonça Filho e o presidente da Casa, no final de janeiro, foi estabelecido que o projeto Antifacção fosse votado depois da apreciação da PEC.

Detalhes do PL Antifacção

O PL Antifacção é um projeto de lei voltado ao combate às facções criminosas, enviado pelo governo federal em outubro de 2025. O projeto busca endurecer o tratamento penal contra o crime organizado, criando novas definições legais, ampliando penas e modificando regras de investigação e julgamento.

A proposta já foi aprovada na Câmara, mas como houve mudanças no texto aprovado no Senado, terá que ser apreciada novamente pelos deputados. O texto do relator no Senado, Alessandro Vieira (MDB-SE), reformulou a proposta aprovada pela Câmara em novembro do ano passado.

Em vez de criar uma nova legislação para punir membros de grupos criminosos, ele propõe atualizar a já existente Lei das Organizações Criminosas. A mudança era um pleito do Ministério da Justiça e da Polícia Federal, que enxergavam na opção adotada pela Câmara uma brecha jurídica para beneficiar criminosos.

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O relator retomou no texto a diferenciação proposta pelo governo para organizações criminosas, facções e milícias, propondo níveis diferentes de penas. A proposta também acaba com visitas íntimas para presos provisórios ou condenados como membros desses grupos.

Na Câmara, o relator do texto foi Guilherme Derrite (PP-SP). Na próxima quarta-feira (25), o deputado vai visitar Jair Bolsonaro na prisão. Ele é aliado do ex-presidente e sua atuação como relator tem sido acompanhada de perto pelos setores políticos envolvidos na discussão sobre segurança pública no país.