Operação Rustius avança com busca e apreensão contra prefeito de Sorriso
A terceira fase da Operação Rustius, conduzida pela Polícia Federal, foi deflagrada nesta quinta-feira (5) com foco em investigações de suspeitas de fraudes nas eleições de 2024. O alvo principal foi o prefeito de Sorriso, município localizado a 420 km de Cuiabá, Alei Fernandes, filiado ao partido União.
Medidas judiciais aplicadas ao prefeito
Durante a operação, a residência do prefeito foi vasculhada pelos agentes federais. Além disso, as autoridades determinaram o bloqueio das contas bancárias de Alei Fernandes e o sequestro de R$ 608 mil pela Justiça. Essas medidas visam garantir a apuração dos fatos e possíveis reparações em caso de condenação.
Defesa do prefeito contesta as ações
Em nota oficial, a defesa de Alei Fernandes informou que o prefeito já havia sido absolvido pela Justiça Eleitoral em uma acusação anterior de caixa dois. Segundo a defesa, na ocasião, a Justiça Eleitoral concluiu que não existiam provas suficientes para sustentar as alegações apresentadas pelo Ministério Público Eleitoral e pelo candidato derrotado na disputa.
A defesa ainda afirmou que, até o momento, não teve acesso aos autos do processo e foi surpreendida com a deflagração desta terceira fase da operação policial, mesmo após a conclusão do inquérito anterior. "Nesse contexto, a defesa foi surpreendida com a deflagração de uma chamada terceira fase da operação policial, mesmo após a conclusão do inquérito", destacou trecho da nota.
Indiciamentos e esquema de financiamento ilícito
De acordo com a Polícia Federal, um total de 23 pessoas foram indiciadas nesta fase da operação. Desse número, 21 são acusadas de omissão ou inserção de informações falsas na prestação de contas da campanha eleitoral, prática conhecida como "caixa 2". Os demais indiciamentos incluem crimes contra o sistema financeiro nacional e contra a economia popular, relacionados à concessão irregular de empréstimos.
As investigações da PF apontam para a existência de um esquema estruturado de financiamento ilícito de campanha. O grupo suspeito teria utilizado empréstimos clandestinos para abastecer a campanha eleitoral, além de:
- Pulverizar valores por meio de terceiros
- Triangular despesas com campanhas de vereadores
- Realizar pagamentos em dinheiro a prestadores de serviço
Parte significativa dos gastos também teria sido deliberadamente omitida na prestação de contas, alterando de forma substancial o montante real de recursos utilizados na disputa eleitoral.
Impacto nas eleições de 2024
A Polícia Federal ressalta que o volume de recursos não declarados identificado nas investigações tem o potencial de modificar significativamente o cenário financeiro real da campanha eleitoral. Isso levanta questões sobre a integridade do processo democrático e a necessidade de rigor no controle das finanças eleitorais.
A operação continua em andamento, com novas fases possíveis à medida que as investigações avançam e mais evidências são coletadas. As autoridades afirmam que o objetivo é garantir a transparência e a legalidade nas eleições, protegendo os princípios democráticos.



