CNJ assume regulamentação do fim da aposentadoria compulsória para juízes
O presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Edson Fachin, será o responsável por regulamentar a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino de acabar com a aposentadoria compulsória de juízes. A medida, que já vinha sendo discutida internamente no Supremo, busca colocar em vigor aspectos da Reforma da Previdência aprovada em 2019, mas enfrenta questionamentos sobre sua base legal e alternativas no Congresso.
Contexto legal e tramitação no Senado
Paralelamente à decisão do STF, tramita no Senado uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de iniciativa do próprio Flávio Dino quando era senador, que também visa acabar com a aposentadoria compulsória como punição para o Judiciário. A PEC está prevista para votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta quarta-feira (18), criando um cenário de dupla via para a mudança.
Flávio Dino determinou em sua decisão que ações judiciais contra juízes serão abertas, por iniciativa da Advocacia Geral da União (AGU), diretamente no Supremo. Isso elimina o longo caminho processual, que frequentemente ultrapassa dez anos, quando uma ação começa na primeira instância. No entanto, a ausência de previsão legal específica para essa mudança pode gerar contestações e debates jurídicos.
Debates e críticas à medida
Críticos do Supremo Tribunal Federal acusam o ministro Flávio Dino de tomar medidas, como o fim da aposentadoria compulsória e a suspensão do pagamento de penduricalhos, para desviar a atenção do tribunal de sua atual crise. Eles argumentam que essas ações são estratégicas e podem não ter fundamentação sólida.
Por outro lado, aliados do ministro defendem que as medidas são necessárias para melhorar a imagem não apenas do STF, mas de todo o Judiciário, que historicamente tem sido cobrado a fazer cortes internos. Deixar de agir devido à crise seria contraproducente, segundo seus apoiadores, que questionam se a inação seria a melhor opção.
Implicações e futuro da regulamentação
A regulamentação pelo CNJ, sob a liderança de Edson Fachin, será crucial para definir os detalhes práticos da implementação. Enquanto isso, a votação da PEC no Congresso oferece uma alternativa legislativa que poderia solidificar a mudança de forma mais ampla. O debate continua sobre qual caminho – via STF ou Congresso – é mais adequado para garantir eficácia e legitimidade à medida.
Especialistas destacam que a decisão reflete um esforço para modernizar as práticas judiciais e aumentar a responsabilização no Judiciário, mas ressaltam a importância de um processo transparente e bem fundamentado para evitar futuras controvérsias.



