Ministro Boulos defende PEC da Segurança Pública como crucial para combate ao crime organizado
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, destacou a importância da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública durante sua participação no programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, pertencente à Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Segundo ele, a medida é fundamental para enfrentar o crime organizado em âmbito nacional, proporcionando melhores condições de trabalho para a Polícia Federal e outras instituições de segurança pública.
Crítica à cooperação com os Estados Unidos
Boulos expressou ceticismo em relação à possível ajuda dos Estados Unidos no combate ao crime organizado no Brasil, afirmando que a PEC tem mais efetividade do que qualquer apoio externo. Ele criticou o presidente norte-americano, Donald Trump, alegando que sua preocupação não é com o crime organizado, mas sim em transformar a América Latina em um "quintal". O ministro sugeriu que, se houver interesse genuíno, a cooperação deveria começar com a investigação e deportação de criminosos brasileiros que se escondem nos Estados Unidos.
Exemplo prático: caso da refinaria do Rio de Janeiro
Sem citar nomes diretamente, Boulos mencionou um esquema de sonegação fiscal de aproximadamente R$ 26 bilhões, relacionado a uma refinaria controlada pelo grupo Refit. Ele defendeu que os Estados Unidos poderiam demonstrar boa vontade colaborando na prisão de investigados que residem em mansões em Miami, livres da justiça brasileira. "Comece prendendo quem está em mansão em Miami - livre, leve e solto nos Estados Unidos - e já foi pego pela Justiça brasileira por estar na cabeça do crime organizado no esquema dos combustíveis", afirmou.
Compromisso com transparência e instituições democráticas
O ministro enfatizou a necessidade de um debate saudável sobre segurança pública, comprometido com a transparência e sem ataques às instituições. Ele reconheceu críticas ao Supremo Tribunal Federal, especialmente em casos como o do Banco Master, mas ressaltou o papel crucial da corte na manutenção da democracia. "Ninguém está acima da crítica, nenhuma instituição está acima da crítica. Agora uma coisa é você poder criticar - como criticar o Toffoli no caso do Master, ou qualquer outro. Isso é parte de uma democracia saudável. Outra coisa é você querer fechar o Supremo ou fazer plano para matar um ministro do Supremo", declarou.
Esforços do governo federal em investigações
Boulos também destacou os esforços do governo federal em investigar crimes, incluindo o fortalecimento da Controladora-Geral da União para apurar casos que envolvam pessoas indicadas pelo próprio governo, como nas fraudes do INSS. Ele afirmou que, embora o esquema de descontos associativos não autorizados tenha começado em 2020, antes do atual governo, isso não impediu a investigação de indicados políticos, demonstrando compromisso com a justiça.



