Robêni Baptista da Costa: Três Prisões e Torturas na Ditadura Militar em Campinas
Robêni: Três Prisões e Torturas na Ditadura Militar

Robêni Baptista da Costa: Uma Vida de Resistência e Sobrevivência na Ditadura Militar

Robêni Baptista da Costa, moradora de Campinas, no estado de São Paulo, enfrentou experiências profundamente marcantes durante a repressão política da ditadura militar brasileira. Ela foi presa em três ocasiões distintas ao longo do regime autoritário e, posteriormente, detida novamente na década de 1980, já durante o processo de redemocratização do país. Após sofrer torturas severas e humilhações, Robêni manteve-se ativa politicamente, dedicando-se a iniciativas de apoio comunitário e mobilização social em sua região.

Trajetória de Prisões e Torturas: Do Congresso da UNE à OBAN

A primeira prisão de Robêni ocorreu em 1968, durante o congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Ibiúna, considerado um dos maiores episódios de prisão em massa do movimento estudantil no Brasil. Nos anos seguintes, ela passou a atuar vinculada à Ação Libertadora Nacional (ALN), envolvendo-se em atividades de resistência política, com foco na organização, produção e circulação de materiais subversivos.

Em 1969, Robêni foi presa novamente e levada para a Operação Bandeirante (OBAN), um dos principais centros de repressão do regime militar. A terceira prisão, em 1971, foi a mais violenta de todas. Durante esse período, ela foi submetida a torturas físicas extremas, incluindo choques elétricos, nudez forçada e diversas formas de humilhação. Após passar pela OBAN, Robêni foi transferida para o Presídio Tiradentes, onde permaneceu por quase dois anos ao lado de outras presas políticas.

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Mesmo diante das condições adversas e do sofrimento imposto, a convivência coletiva e a organização interna entre as mulheres funcionavam como estratégias cruciais de sobrevivência e resistência.

Ativismo Contínuo e Legado na Redemocratização

Com o avanço da redemocratização, Robêni não abandonou sua militância. Em 1980, ela foi uma das signatárias da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), marcando seu compromisso com a transformação política. Décadas depois, continuou a participar ativamente da vida política e social, engajando-se em iniciativas de apoio comunitário e mobilização social no cotidiano de Campinas.

Podcast "As Vozes da Resistência": Ampliando Narrativas Femininas

A trajetória de Robêni é o tema central do primeiro episódio do podcast documental "As Vozes da Resistência", lançado pela produtora campineira NuOlhar. A estreia ocorreu nesta terça-feira (31), data que marca o golpe de 1964, disponível nas principais plataformas de áudio. O projeto terá cinco episódios, cada um dedicado à história de mulheres que viveram a repressão e participaram da resistência à ditadura por diferentes caminhos.

Além de Robêni, os episódios incluem relatos de Ana Maria Ramos Estevão, Tânia Mendes, Regina Elza Solitrenick e Criméia Almeida. O podcast surge da constatação de que a história da ditadura brasileira foi, em grande parte, narrada por protagonistas masculinos. Ao colocar mulheres no centro dessas narrativas, a série busca ampliar a compreensão sobre o que significou resistir naquele período, destacando também formas de enfrentamento menos visíveis, como redes de apoio, articulação, informação e cuidado.

O projeto integra uma iniciativa multiplataforma, que inclui um portal com material de pesquisa, entrevistas e arquivos históricos, além de conteúdos publicados nas redes sociais, visando preservar e disseminar essas memórias fundamentais para a história do Brasil.

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