Últimos Passos de Tiradentes: RJ2 refaz trajetória do herói no Rio até a execução
RJ2 refaz últimos passos de Tiradentes no Rio até execução

Últimos Passos de Tiradentes: RJ2 refaz trajetória do herói no Rio até a execução

No Dia de Tiradentes, celebrado na terça-feira (21), o programa RJ2 realizou um passeio histórico pelos locais marcantes da trajetória final de Joaquim José da Silva Xavier, o mártir da Inconfidência Mineira. O percurso revela os últimos dias do inconfidente na então capital da colônia, o Rio de Janeiro, onde ele viveu momentos decisivos até sua execução em 1792.

A chegada ao Rio e os primeiros contatos

No século 18, o Rio de Janeiro era o principal polo comercial e administrativo do Brasil colonial, atraindo imigrantes em busca de oportunidades. Entre eles estava o jovem Tiradentes, que serviu como militar no Forte do Leme. Segundo o historiador Thiago Gomide, essa experiência proporcionou ao futuro herói uma observação privilegiada da cidade.

"Ele vai ter uma observação privilegiada do Rio, conviver com comerciantes na região da atual Primeiro de Março e, segundo algumas vertentes, até sonhar em empreender, especialmente diante da escassez de água na cidade", explica Gomide. Apesar dessa fase inicial, Tiradentes retornaria a Ouro Preto, onde se envolveria no movimento que mudaria seu destino.

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O contexto da Inconfidência Mineira

Na época, o Brasil vivia o auge do ciclo do ouro, com intensa extração em Minas Gerais. A cobrança do "quinto" pela Coroa portuguesa – imposto que exigia 20% de toda produção – gerava forte insatisfação entre a população. "Isso gerava revolta, e dessas revoltas nasce o que hoje conhecemos como a Inconfidência Mineira", afirma o historiador.

Preso junto a outros envolvidos, Tiradentes foi o único condenado à pena máxima por traição à Coroa. Condenado, ele voltou ao Rio, desta vez como prisioneiro, iniciando seu calvário final na cidade.

Prisão e sofrimento na Ilha das Cobras

Ao retornar à capital, Tiradentes foi encarcerado na Ilha das Cobras, uma das prisões mais rigorosas da época. "Era uma prisão conhecida pelos castigos e pelas dificuldades que o preso atravessava. Ele vai ser vítima das mais diferentes inquisições, não vai aceitar que era culpado, não vai falar que tinha participado, não vai entregar ninguém e vai sofrer, obviamente, as consequências por estar tão calado", relata Gomide.

A passagem pela Ilha das Cobras representou o período mais longo de encarceramento antes da execução, marcado por interrogatórios e condições extremamente difíceis.

Reconstituindo o trajeto final pelo Centro do Rio

O percurso final de Tiradentes pelo Centro do Rio pode ser reconstituído através de pontos históricos que permanecem na cidade. Um deles é o Palácio Tiradentes, antiga sede da Assembleia Legislativa, que abriga uma estátua em homenagem ao inconfidente.

"Há vertentes históricas que defendem que a cela onde Tiradentes passou péssimos bocados era exatamente aqui. E, por isso, a estátua", explica Gomide durante visita ao local. No monumento, a inscrição em latim "Libertas quae sera tamen""Liberdade, ainda que tardia" – remete ao ideal defendido pelos inconfidentes, presente também na bandeira de Minas Gerais.

O local da execução: Praça Tiradentes

Seguindo pelo Centro, o roteiro histórico chega à Praça Tiradentes, local que leva o nome do mártir por ter sido palco de sua execução em 21 de abril de 1792. Naquele dia, debilitado após anos de prisão, Tiradentes percorreu as ruas sob o olhar atento da população.

"As pessoas ocupavam lugares estratégicos dessa rua. Todos queriam observar de perto aquela execução, naquele período, de mais uma pessoa. Lembrando que o enforcamento era quase que um show, um episódio, evento a ponto de as pessoas, enquanto ele estava passando por aqui, jogarem moedas", detalha o historiador.

Durante o trajeto final, Tiradentes passou por uma igreja onde ocorria uma missa, mas foi impedido de entrar. "Ele está vindo, a missa está acontecendo, há uma pausa pra que acompanhe parte daquele rito religioso e depois segue caminho. Condenados não tinham essa liberdade de entrar. Não tinham essa autorização, muito menos de comungar", explica Gomide.

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O fim trágico e o legado histórico

O percurso termina nas imediações do atual Museu Histórico Nacional, onde funcionava a antiga Casa do Trem. Foi ali que o corpo de Tiradentes, já sem vida, foi esquartejado, com seus restos mortais distribuídos por diferentes regiões como forma de intimidação.

"Era uma maneira de mostrar o que acontecia com quem desafiava o poder", afirma o historiador. Mais de dois séculos depois, revisitar esses caminhos representa uma oportunidade valiosa para reflexão sobre a história nacional.

"Conhecer nossas raízes e cicatrizes é essencial para entender quem somos como nação – uma nação diversa, mas unida", conclui Gomide, destacando a importância de preservar a memória histórica como forma de compreender a identidade brasileira.