Família de Bento Gonçalves denuncia abandono do mausoléu do general farroupilha em Rio Grande
Os restos mortais de Bento Gonçalves, importante líder da Revolução Farroupilha, podem ser retirados da cidade de Rio Grande, na Região Sul do Brasil, caso o mausoléu onde estão depositados não passe por uma revitalização urgente. A decisão partiu da associação de familiares do general, que afirma cobrar melhorias da prefeitura municipal há exatamente uma década, sem resultados concretos até o momento.
Reivindicações históricas e simbólicas
Raul Justino Ribeiro Moreira, tataraneto de Bento Gonçalves e presidente da associação familiar, explicou que a proposta é estabelecer uma parceria público-privada para garantir a preservação adequada do local. "Nossa ideia é que a prefeitura faça a sua parte e nós podemos ajudar em uma parceria público-privada. Queremos que os princípios que nortearam a ida dos restos mortais para Rio Grande sejam cumpridos", declarou Raul, destacando a importância histórica do monumento.
Além das melhorias básicas na limpeza, segurança e iluminação do mausoléu, a família reivindica a criação do "Largo General Bento Gonçalves". Segundo os descendentes, é inaceitável que o túmulo do herói farroupilha permaneça em uma praça que homenageia um de seus principais opositores históricos, o Marquês de Tamandaré, que lutou contra os Farrapos durante o conflito.
Ameaça de transferência dos restos mortais
Caso as solicitações não sejam atendidas pela administração municipal, a associação familiar pretende retirar os restos mortais de Bento Gonçalves da cidade de Rio Grande. "Se nada acontecer em Rio Grande, Bento pode voltar para sua origem, onde estava sepultado, em Camaquã. Ou abrimos uma nova concorrência para o município que oferecer melhores condições. Mas isso na hipótese de não andar a revitalização", explicou Raul Justino Ribeiro Moreira, deixando claro que a paciência da família está se esgotando.
Resposta da prefeitura e ceticismo familiar
A Prefeitura de Rio Grande informou, por meio de sua assessoria, que uma comissão será criada para discutir a situação do mausoléu e as demandas apresentadas pela família. No entanto, os descendentes de Bento Gonçalves receberam a notícia com ceticismo e desconfiança.
Conforme relatou Raul, uma comissão com exatamente o mesmo objetivo já havia sido formada em 2017, mas não apresentou avanços significativos ou soluções concretas para o problema. A família teme que a nova promessa seja apenas mais uma medida protelatória, sem ações efetivas para preservar o patrimônio histórico.
O caso expõe uma tensão entre a preservação da memória histórica e a gestão pública municipal, colocando em risco a permanência de um dos símbolos mais importantes da Revolução Farroupilha na cidade que atualmente abriga seus restos mortais.



