Exposição na UFF exibe registros inéditos dos ataques golpistas de 8 de janeiro em Brasília
Exposição na UFF mostra registros inéditos dos ataques de 8 de janeiro

Exposição na UFF exibe registros inéditos dos ataques golpistas de 8 de janeiro em Brasília

Uma exposição com imagens e vídeos inéditos dos atos de 8 de janeiro de 2023 será inaugurada na próxima terça-feira (31), no Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói. A mostra, intitulada “Subterrâneos a céu aberto”, reúne registros produzidos pelos próprios participantes das manifestações e propõe uma reflexão profunda sobre a circulação de conteúdos digitais e a preservação da memória recente no país.

8 de janeiro: ataques às sedes dos Três Poderes ficam registrados na memória nacional

A exposição relembra o dia em que manifestantes convocados por redes sociais e vândalos que estavam acampados há meses em frente ao Quartel General do Exército, em Brasília, seguiram em direção à Esplanada dos Ministérios e atacaram as sedes dos Três Poderes. O atentado dos bolsonaristas golpistas se deu com invasão e vandalismo no Congresso Nacional, marcando um episódio sombrio na história democrática brasileira. A exposição fica em cartaz até o dia 10 de maio, no Centro de Artes da UFF, na Rua Miguel de Frias, nº 9, em Niterói.

1,2 milhão de registros preservados digitalmente

O material exibido faz parte do Acervo Digital 8 de Janeiro, um projeto desenvolvido pelo Condado Lab, da PUC-Rio, com apoio de instituições de pesquisa. Ao longo de mais de dois anos, pesquisadores reuniram:

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  • cerca de 1,2 milhão de metadados
  • mais de 400 mil imagens
  • mais de 100 mil vídeos

Os conteúdos circularam nas redes sociais entre novembro de 2022 e fevereiro de 2023 e, em muitos casos, foram posteriormente apagados. A iniciativa busca preservar esse material como fonte essencial para pesquisa, ensino e debate público, combatendo o apagamento digital que ameaça a memória coletiva.

Experiência imersiva com quatro ambientes distintos

A exposição apresenta parte desse acervo em um percurso imersivo, que combina imagens, vídeos e sons com linguagem artística inovadora. O espaço foi dividido em quatro ambientes:

  1. Labirinto
  2. Mosaico
  3. Acampamento
  4. Caverna

Os visitantes podem percorrer livremente os espaços, que incluem reconstruções de cenários, mosaicos visuais e composições sonoras criadas por artistas convidados. Segundo o coordenador do projeto, o pesquisador Marcelo Alves, o principal desafio foi transformar o grande volume de dados em uma experiência acessível ao público. "O desafio foi transformar um volume grande de dados em uma experiência que permita ao público compreender como esses conteúdos circularam e o que eles revelam sobre aquele momento", disse Alves.

Memória e democracia em debate

A exposição também propõe uma reflexão crítica sobre o uso de símbolos e as disputas de significado no Brasil contemporâneo. Elementos como a bandeira nacional, amplamente presentes nos atos, aparecem ressignificados nas obras, estimulando o debate sobre as tensões políticas e sociais do país. Para o reitor da UFF, Antonio Claudio da Nóbrega, a iniciativa reforça o papel da universidade na preservação da memória recente. "Esta mostra traz à tona uma pesquisa atual sobre o apagamento digital e a fragilidade da memória em tempos de plataformas digitais. Ao articular dados, arte e tecnologia, nossa universidade se consolida como um espaço ativo de reflexão, onde a justiça de transição e a cidadania são debatidas para garantir que o passado não seja silenciado, mas sim compreendido para protegermos o futuro" afirmou Nóbrega.

O dia 8 de janeiro marcou os atos golpistas, quando vândalos invadiram as sedes dos Três Poderes, em Brasília, e agora essa memória é preservada e analisada através de uma perspectiva artística e acadêmica, servindo como alerta para as gerações futuras sobre os riscos à democracia.

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