Notícia falsa sobre ginastas brasileiras na Dinamarca é desmentida oficialmente
Circula nas redes sociais uma informação completamente falsa que alega a expulsão da seleção brasileira de ginástica rítmica da Dinamarca durante um suposto campeonato. Segundo os posts enganosos, as atletas teriam sido retiradas do país por se apresentarem com "música de protesto woke" e por violarem uma lei local que proibiria "apologia a movimentos que atacam a sociedade hétero". A verificação dos fatos, no entanto, comprova que se trata de uma fake news sem qualquer fundamento.
Como a desinformação se espalhou nas plataformas digitais
Os posts falsos começaram a circular no Threads, Instagram e Facebook no dia 7 de fevereiro. Eles utilizavam uma imagem real das ginastas brasileiras durante uma apresentação no Mundial de 2023, mas com uma legenda mentirosa que distorcia completamente os fatos. A alegação enganosa afirmava categoricamente:
"GINASTAS DO BRASIL EXPULSAS DA DINAMARCA. Em recente competição na Dinamarca, as ginastas do Brasil apresentaram-se com música de protesto woke e foram expulsas do país por violação de uma lei local que proíbe apologia a movimentos que atacam a sociedade hétero".
O termo "woke", mencionado na fake news, tornou-se um sinônimo pejorativo para designar pessoas ou obras que abordam questões sociais como igualdade racial, feminismo e movimentos LGBTQIA+. No entanto, sua utilização neste contexto serviu apenas para dar um ar de veracidade a uma narrativa completamente inventada.
Desmentido oficial da Confederação Brasileira de Ginástica
Procurada pelo Fato ou Fake, a Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) emitiu uma nota oficial desmentindo todas as alegações. A instituição esclareceu pontos fundamentais:
- A seleção brasileira de ginástica rítmica não participou de qualquer competição na Dinamarca
- Não houve nenhuma expulsão de atletas brasileiras do território dinamarquês
- A equipe sequer esteve na Dinamarca para competições ou eventos oficiais
Em comunicado, a CBG afirmou: "A Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) informa que é falsa a informação que circula nas redes sociais sobre uma suposta participação da Seleção Brasileira de Ginástica Rítmica em competição na Dinamarca, bem como qualquer alegação de expulsão de atletas brasileiras do país".
A entidade ainda reforçou a importância da checagem de informações antes da divulgação de conteúdos, especialmente quando envolvem atletas, seleções nacionais e o esporte brasileiro, lamentando a disseminação de desinformação que pode gerar confusão e prejuízos à imagem das atletas e da modalidade.
A realidade sobre a legislação dinamarquesa
A fake news também inventou uma legislação dinamarquesa que simplesmente não existe. A alegação de que a Dinamarca teria uma lei que proíbe "apologia a movimentos que atacam a sociedade hétero" é completamente falsa. Na realidade, o país escandinavo tem um histórico bastante diferente:
- A Dinamarca foi a primeira nação do mundo a estabelecer, em 1989, o direito de casais do mesmo sexo a celebrar união civil
- Em 2023, o país foi considerado o terceiro mais amigável à comunidade LGBT+ na Europa
- A homossexualidade foi legalizada no país já em 1933
- Em 1981, foi removida da lista de transtornos mentais
- Em 1999, a Dinamarca tornou-se o primeiro país do mundo a reconhecer legalmente dois pais do mesmo sexo
O site do Ministério das Relações Exteriores dinamarquês possui um comunicado intitulado "Dinamarca – Um país muito amigável à comunidade LGBT+", que destaca justamente o alto grau de proteção legal oferecido pelo país a essa comunidade.
Ausência de registros oficiais comprova a falsidade
A verificação realizada pelo Fato ou Fake não encontrou qualquer registro no site oficial da Federação Internacional de Ginástica (FIG) sobre uma competição prevista para 2026 na Dinamarca que envolvesse a seleção brasileira. Esta ausência de informações oficiais corrobora o desmentido da CBG e demonstra como a fake news foi construída sobre bases completamente frágeis e inexistentes.
Este caso serve como um alerta importante sobre a necessidade de verificar informações antes de compartilhá-las nas redes sociais. A velocidade com que notícias falsas se espalham pode causar danos significativos à imagem de atletas e instituições esportivas, além de contribuir para a desinformação generalizada que afeta a sociedade como um todo.



