Operação da PF investiga R$ 390 milhões em investimentos suspeitos na previdência do Amazonas
PF investiga R$ 390 milhões em investimentos suspeitos no Amazonprev

Operação da PF mira R$ 390 milhões em aplicações suspeitas no fundo previdenciário do Amazonas

A Polícia Federal deflagrou uma operação de grande porte para investigar quatro pessoas por suspeita de irregularidades graves em investimentos milionários do fundo previdenciário do Amazonas, conhecido como Amazonprev. As investigações apontam para indícios de gestão temerária e corrupção ativa e passiva, com valores que alcançam a impressionante cifra de R$ 390 milhões.

Mandados judiciais e afastamentos preventivos

A Justiça Federal autorizou a execução de mandados de busca e apreensão em diversos endereços, incluindo a sede do Amazonprev em Manaus e a empresa de um dos investigados. Além disso, determinou o afastamento imediato dos servidores envolvidos por um período de 90 dias, medida cautelar destinada a evitar qualquer tipo de interferência nas investigações em andamento.

Quem são os investigados e suas supostas participações

Os alvos da operação são figuras-chave no esquema suspeito:

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  • Claudinei Soares: ex-gestor de recursos da Amazonprev e coordenador do comitê de investimentos, apontado como principal responsável por ordenar e executar aplicações financeiras sem deliberação prévia do Comitê de Investimentos. As investigações indicam que ele determinou operações de grande valor e, em alguns casos, teria fracionado operações para contornar limites administrativos estabelecidos.
  • Cláudio Marins de Melo: diretor de Administração e Finanças, que teria participado ativamente ao autorizar, concordar e posteriormente ratificar as aplicações, mesmo diante de irregularidades procedimentais e da ausência de aprovação formal pelas instâncias colegiadas competentes.
  • André Luis Bentes de Souza: ex-diretor de Previdência da Amazonprev, que teria participado das discussões no Comitê de Investimentos e atuado no credenciamento de instituições financeiras emissoras, como os bancos Master e C6, o que, segundo a PF, viabilizou parte significativa das aplicações investigadas.
  • Sávio Loyola e Silva: proprietário da empresa ALFA A Consultoria e Gestão de Frota Ltda, sediada em Niterói, no Rio de Janeiro. A PF suspeita que sua empresa tenha transferido cerca de R$ 600 mil a servidores e gestores ligados às aplicações investigadas, sem contratos ou justificativas econômicas compatíveis com a atividade da companhia. As movimentações ocorreram no mesmo período das decisões sobre os investimentos, levantando fortes indícios de conluio.

Detalhes das operações financeiras sob investigação

A auditoria do Ministério da Previdência identificou cinco operações suspeitas de alto valor, realizadas entre junho e setembro de 2024 em letras financeiras de bancos privados:

  1. Banco Master: R$ 50 milhões (junho/2024)
  2. Banco Daycoval: R$ 50 milhões (agosto/2024)
  3. Banco BTG Pactual: R$ 40,7 milhões (setembro/2024)
  4. Banco C6 Consignado: duas operações de R$ 125 milhões cada (setembro/2024)

Em diversos casos, as aplicações foram efetuadas sem aprovação formal da diretoria ou do Comitê de Investimentos, e até com bancos não credenciados pelo Ministério da Previdência, configurando grave violação das normas de governança e gestão.

Intermediação e falhas de governança

As operações foram intermediadas pelas corretoras Terra Investimentos e Mirae Asset. Segundo a Polícia Federal, as duas instituições foram utilizadas de forma reiterada nas aplicações, sem demonstração de critérios objetivos para a escolha ou comparação de custos e riscos associados. A auditoria do Ministério da Previdência também identificou falhas graves de governança, fragilidades no processo decisório e descumprimento sistemático de normas de gestão, o que facilitou a concretização das transações suspeitas.

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A Polícia Federal segue com as investigações para apurar todas as responsabilidades e garantir que os recursos previdenciários do estado do Amazonas sejam geridos com transparência e legalidade. A operação representa um marco na luta contra a corrupção em órgãos públicos de grande relevância social e econômica.