Brasil mantém posição 107 em ranking global de corrupção, abaixo da média mundial
Brasil fica em 107º em ranking de corrupção pelo 2º ano seguido

Brasil mantém posição preocupante em ranking global de corrupção

A Transparência Internacional divulgou nesta terça-feira (10) seu levantamento anual sobre a percepção de corrupção no setor público ao redor do mundo. O Brasil manteve-se na posição de número 107 entre 182 países avaliados, ficando abaixo da média global pelo segundo ano consecutivo.

Metodologia e resultados do estudo

O índice mediu a percepção de executivos, pesquisadores e especialistas sobre a corrupção no setor público, sem considerar casos concretos, investigações ou denúncias. A nota varia de 0 a 100, sendo que quanto mais baixa, pior o cenário. Dinamarca, Finlândia e Singapura lideraram o ranking, enquanto Venezuela, Somália e Sudão do Sul tiveram os piores resultados.

O Brasil não apenas permaneceu na mesma posição do ranking anterior, como também ficou abaixo da média dos países da América. O relatório destaca que essa colocação reflete uma imagem negativa projetada para o mundo, indicando que o país está falhando sistematicamente em retomar a agenda de combate à corrupção.

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Casos citados no relatório

O estudo da Transparência Internacional menciona diversos casos que contribuíram para a má colocação do Brasil:

  • Fraudes em licitações e lavagem de dinheiro em contratos públicos a partir do desvio de emendas parlamentares
  • Esquema bilionário de desvios ilegais nos benefícios do INSS
  • O caso Master, descrito como a maior fraude bancária da história brasileira, que lançou suspeitas sobre autoridades públicas de cúpula
  • A Operação Carbono Oculto, investigada pela Polícia Federal, que apura sistema estruturado de sonegação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro por facções criminosas

Críticas e defesas da metodologia

Em entrevista ao Conexão Globonews, o ministro-chefe da Controladoria-Geral da União, Vinícius de Carvalho, questionou a metodologia do índice. Ele argumentou que o relatório não considera as operações de combate à corrupção realizadas pelo governo, citando que apenas no ano passado, a CGU e a Polícia Federal realizaram 76 operações que resultaram em prejuízo apurado de R$ 13 bilhões.

Carvalho afirmou que esses números não indicam mais corrupção do que em anos anteriores, mas sim uma agenda estruturada de controle e fiscalização que permitiu identificar casos mais robustos. A Transparência Internacional respondeu que a crítica não desqualifica o índice e que é bem-vindo debater a metodologia do relatório de forma republicana.

Pontos positivos destacados

Apesar da posição ruim do Brasil, o relatório também destacou alguns avanços:

  1. A mobilização social que levou à rejeição, no Senado, da PEC da Blindagem, proposta que dificultava a abertura de processos criminais contra parlamentares
  2. Esforços de fiscalização ambiental pelo Poder Executivo
  3. A responsabilização inédita de lideranças políticas e militares por ataques à ordem democrática, referindo-se ao julgamento pelo Supremo Tribunal Federal que levou à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados

Análise especializada

Bruno Brandão, diretor-executivo da Transparência Internacional no Brasil, comentou sobre os resultados: "Todo esse quadro sistêmico leva o Brasil a ter uma colocação muito ruim nesse ranking e uma imagem projetada para o mundo de um país que está falhando sistematicamente em retomar a agenda da luta contra a corrupção".

Brandão também destacou a conexão entre corrupção e outros problemas sociais: "O Brasil precisa olhar para onde o dinheiro verdadeiramente está indo. Porque a arma só chega na favela através de fluxos financeiros ilícitos, inclusive internacionais. A droga só chega da mesma forma".

Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, citados no relatório em relação ao caso Master, não se manifestaram sobre as acusações. A esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, também não comentou o contrato de R$ 129 milhões mencionado no estudo.

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