Xi Jinping pede cessar-fogo imediato e reabertura do Estreito de Ormuz em meio a tensões
Xi Jinping pede cessar-fogo e reabertura do Estreito de Ormuz

Presidente chinês faz declaração direta sobre crise no Oriente Médio

O presidente da China, Xi Jinping, defendeu nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, um cessar-fogo imediato e abrangente na guerra no Oriente Médio e demandou a reabertura do Estreito de Ormuz, rota marítima vital por onde passa aproximadamente 20% do petróleo consumido mundialmente. Esta foi a primeira declaração direta do líder chinês sobre o fechamento deste estratégico canal, que tem sido palco de tensões entre Estados Unidos e Irã.

Contexto de incerteza diplomática

As declarações de Xi ocorrem em um momento particularmente delicado:

  • A trégua de duas semanas entre EUA, Israel e Irã expira nesta terça-feira, 21 de abril
  • O presidente americano Donald Trump deve visitar Pequim nas próximas semanas
  • O Irã prometeu retaliar após a interceptação forçada de um navio iraniano pela Marinha americana

Em conversa telefônica com o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman, Xi afirmou que o Estreito de Ormuz deve "permanecer aberto para a passagem normal", sem mencionar especificamente o fechamento da via pelo Irã nem o bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos na área há uma semana. O líder chinês destacou que a China está disposta a apoiar todos os esforços diplomáticos para restaurar a paz na região.

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Posicionamento estratégico da China

Embora a declaração de Xi ecoe o posicionamento tradicional de seu governo, analistas destacam a importância deste pronunciamento direto:

  1. Pequim é a maior compradora de petróleo iraniano, destino de mais de 80% das exportações do país em 2025
  2. A China tem interesse direto na estabilidade das rotas energéticas globais
  3. Xi busca posicionar a China como mediadora em conflitos internacionais

Na semana passada, durante reunião com o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, Xi já havia criticado a guerra, afirmando que a "ordem internacional está se desintegrando". Em encontro com o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, xeque Khaled bin Mohammed, o líder chinês foi ainda mais enfático: "Não podemos permitir que o mundo retorne à lei da selva".

Tensões entre Washington e Teerã

O porta-voz da chancelaria iraniana, Esmail Baghaei, afirmou nesta segunda-feira que seu país não tem planos para uma nova rodada de negociações com os Estados Unidos, apesar de Trump ter anunciado que autoridades de seu governo estariam a caminho do Paquistão para novas conversas. Esta posição contrasta com a abordagem diplomática defendida por Xi Jinping.

Paralelamente, o Ministério das Relações Exteriores chinês expressou preocupação com a "interceptação forçada" do navio iraniano, enquanto a agência de notícias iraniana Tasnim informou que o Irã está "preparado para responder decisivamente às forças invasoras" após o que classificou como "agressão flagrante".

Relações sino-americanas em jogo

A declaração de Xi ocorre em um contexto complexo nas relações entre China e Estados Unidos:

  • Trump anunciou ter pedido a Xi para não enviar armas ao Irã
  • O presidente americano afirmou que Xi teria acatado seu pedido
  • Trump escreveu nas redes sociais que a China estava "muito feliz" por ele estar "abrindo permanentemente o Estreito de Ormuz"

Notavelmente, Xi não criticou diretamente Washington em sua declaração, nem mencionou especificamente o impacto do conflito nas remessas de energia pelo Estreito de Ormuz. Esta abordagem cautelosa reflete o delicado equilíbrio que Pequim busca manter entre seus interesses energéticos, suas relações com Teerã e seu diálogo com Washington.

A posição chinesa representa um esforço claro para promover uma solução diplomática para a crise, enquanto protege seus próprios interesses estratégicos na região. Com a iminente visita de Trump a Pequim e a expiração da trégua no Oriente Médio, as próximas semanas serão cruciais para determinar se a abordagem defendida por Xi Jinping poderá ganhar tração entre as partes em conflito.

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