Trump enfrenta resistência internacional após pedir apoio militar no Estreito de Hormuz
O apelo misturado com ameaças feito por Donald Trump para que outros países enviem navios de guerra para escoltar petroleiros no Estreito de Hormuz, atualmente controlado pelo Irã, não obteve resultados significativos até o momento. Nesta segunda-feira (16), os governos do Reino Unido, Alemanha, Itália, Grécia e Austrália rejeitaram a proposta, enquanto nações como Japão, Coreia do Sul e Holanda afirmaram estar analisando a possibilidade, mas com uma tendência clara de não enviar forças. Outros países europeus, incluindo a Espanha, já descartaram operações militares na região.
Frustração e pressão sobre aliados
Em declarações na Casa Branca, Trump expressou sua insatisfação com a falta de entusiasmo de alguns aliados, destacando: "Alguns estão muito entusiasmados com isso, outros não. Alguns são países que ajudamos há muitos e muitos anos. Nós os protegemos de fontes externas terríveis, e eles não se mostraram tão entusiasmados. E o nível de entusiasmo importa para mim". O presidente não especificou quais nações estariam interessadas, mas criticou abertamente o Reino Unido, com quem tem tido desentendimentos frequentes, afirmando: "Estou bastante surpreso com o Reino Unido. Não estou feliz".
Anteriormente, em Londres, o primeiro-ministro Keir Starmer já havia deixado claro que seu país "não se deixará arrastar para uma guerra mais ampla no Oriente Médio". Trump também mencionou uma conversa com o presidente francês Emmanuel Macron, sugerindo que a França poderia ajudar de alguma forma, embora Paris tenha criticado a guerra e negado o envio de navios para Hormuz.
Contexto da guerra e estratégias em jogo
Com a guerra iniciada há pouco mais de duas semanas pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, a teocracia iraniana tem conseguido manter o controle do país e criar caos no comércio global de petróleo. Isso forçou vários países a acessarem reservas de emergência, com a estratégia de pressionar pelo fim do conflito em nome da estabilidade econômica, mantendo o regime islâmico em pé. No entanto, a extensa campanha aérea em curso torna o sucesso incerto.
Trump intensificou a pressão ao longo do fim de semana, passando das solicitações para ameaças. Em uma entrevista ao jornal britânico Financial Times no domingo (15), ele alertou que a falta de apoio europeu "será muito ruim para o futuro da Otan". Os Estados Unidos lideram essa aliança militar, criada em 1949 para conter Moscou, e desde seu primeiro mandato, Trump tem pressionado aliados, considerando-os frágeis e excessivamente dependentes de Washington.
Reações e manobras diplomáticas
Em resposta às pressões, o primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, afirmou por meio de seu porta-voz que "a guerra no Irã não é assunto da Otan". Neste novo conflito, Trump encontra-se praticamente isolado, com apoio apenas de Binyamin Netanyahu, enquanto diversos países europeus criticam a ação militar e defendem a diplomacia como melhor caminho para lidar com Teerã.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, reforçou essa posição nesta segunda-feira, declarando que o bloco não "tem apetite" para agir em Hormuz e que "esta guerra não é da Europa". Paralelamente, Trump tentou atrair a China, rival estratégica e principal compradora do petróleo iraniano, para o jogo, mas Pequim manteve-se cautelosa, esperando a continuidade de uma visita prevista.
Desenvolvimentos no terreno e impactos regionais
O Irã também tem manobrado estrategicamente. Inicialmente, após o início da guerra, anunciou o fechamento do Estreito de Hormuz e atacou navios e infraestrutura petrolífera de países árabes vizinhos. Recentemente, adotou um discurso mais seletivo, afirmando que o estreito está aberto para todos, exceto para os Estados Unidos, Israel e seus aliados. Como gesto de boa vontade, Teerã permitiu sem incidentes a passagem de um petroleiro paquistanês com petróleo dos Emirados Árabes Unidos.
No entanto, os iranianos mantêm a pressão com ataques de mísseis e drones em todo o Oriente Médio. Nesta segunda-feira, atingiram o terminal de Fujairah, um dos sete emirados árabes, que é estrategicamente importante por abrigar o único oleoduto dos Emirados que evita o Estreito de Hormuz. Além disso, o aeroporto de Dubai foi fechado após um drone iraniano explodir um tanque de combustível nas proximidades, destacando a escalada da violência e seus impactos na região.
