Trump expressa dúvidas sobre sobrevivência do líder iraniano e intensifica pressão internacional
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, causou polêmica nesta segunda-feira (16) ao declarar publicamente que não sabe se o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, está vivo após os recentes ataques aéreos em Teerã. Durante um evento na Casa Branca, Trump revelou que informações da inteligência norte-americana indicam que Khamenei teria sido gravemente ferido e "perdeu uma perna" nos bombardeios.
"Não sabemos... se ele está morto ou não. Devo dizer que ninguém o viu, o que é incomum", afirmou Trump diante de repórteres. "Muitas pessoas dizem que ele está gravemente desfigurado. Dizem que ele perdeu a perna... e que foi gravemente ferido. Outras pessoas dizem que ele está morto".
Liderança iraniana envolta em mistério
Mojtaba Khamenei assumiu a liderança do Irã após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, durante os ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel que deram início ao atual conflito no Oriente Médio. Desde sua ascensão ao poder, o novo líder não fez nenhuma aparição pública, limitando-se a comunicados por escrito, o que alimenta especulações sobre seu estado de saúde.
"Não sabemos quem é o líder deles (Irã). Temos pessoas querendo negociar. Não temos ideia de quem sejam", acrescentou Trump, destacando a incerteza que envolve a cúpula do governo iraniano.
Pressão por coalizão no Estreito de Ormuz
Em paralelo às declarações sobre o líder iraniano, Trump intensificou a pressão sobre aliados internacionais para formar uma coalizão militar que garanta a navegação no Estreito de Ormuz. O corredor marítimo foi fechado pelo Irã em resposta aos ataques de EUA e Israel em 28 de fevereiro, afetando significativamente o fluxo global de petróleo.
Durante discurso no Kennedy Center, em Washington, o presidente republicano afirmou que seu secretário de Estado, Marco Rubio, anunciará em breve os países que integrarão essa força conjunta. Trump argumentou que nações como China, Japão, Coreia do Sul e países europeus dependem muito mais da passagem do que os próprios Estados Unidos.
"Obtemos menos de 1% do nosso petróleo pelo Estreito", explicou Trump. "China, países europeus e Coreia do Sul: Alguns países obtêm muito mais. O Japão obtém 95%, a China 90%, muitos europeus obtêm uma quantidade considerável. A Coreia do Sul obtém 35%, então queremos que eles venham nos ajudar com o Estreito".
Resposta morna de aliados e negativa iraniana
Vários aliados tradicionais dos Estados Unidos, incluindo o Reino Unido, demonstraram relutância em comprometer imediatamente navios para a operação no Estreito de Ormuz. Trump expressou claramente seu descontentamento com a falta de apoio britânico, afirmando que "não está feliz" com a posição do Reino Unido.
"Alguns [países] estão muito entusiasmados com isso, e outros não. Alguns são países que ajudamos por muitos e muitos anos. Nós os protegemos de fontes externas terríveis, e eles não estavam tão entusiasmados. E o nível de entusiasmo importa para mim", declarou o presidente norte-americano.
Enquanto isso, o Irã negou categoricamente ter solicitado um cessar-fogo aos Estados Unidos, contradizendo declarações anteriores de Trump. No entanto, em sinal potencial de abertura, o chanceler iraniano Hossein Amir-Abdollahian indicou que Teerã permitirá circulação limitada no Estreito de Ormuz, mantendo-o fechado apenas para "inimigos e aqueles que apoiam sua agressão".
Capacidade militar iraniana e novos ataques
Trump afirmou que a campanha militar norte-americana já atingiu mais de 7.000 alvos em todo o Irã e continua "com força máxima". Segundo o presidente, os iranianos "não têm mais muitos mísseis à sua disposição" e "não têm muito mais tiros para dar".
Contudo, novos ataques com mísseis e drones foram registrados nesta segunda-feira no Golfo Pérsico, atingindo Arábia Saudita, Kuwait e Bahrein. Israel também reportou lançamentos de mísseis iranianos contra seu território, com danos em 23 locais e pequenos incêndios.
Custo humano do conflito
O impacto humanitário da guerra continua a crescer dramaticamente:
- No Irã, a Cruz Vermelha registrou mais de 1.300 mortes devido aos ataques, incluindo 223 mulheres e 202 crianças segundo o Ministério da Saúde
- Israel contabiliza 12 mortos por mísseis iranianos, com feridos adicionais
- Pelo menos 13 militares norte-americanos perderam a vida, seis em acidente aéreo no Iraque
- No Líbano, aproximadamente 820 pessoas morreram desde que o Hezbollah iniciou ataques e Israel respondeu com bombardeios
- Mais de 800.000 libaneses (quase um em cada sete habitantes) foram deslocados em apenas 10 dias
A guerra, que completa suas primeiras semanas, mostra sinais de escalada contínua enquanto as declarações de Trump sobre a incerteza quanto à liderança iraniana e a pressão por apoio internacional no Estreito de Ormuz adicionam novas camadas de complexidade ao já turbulento cenário do Oriente Médio.



