Trump alerta que 'grande onda' de ataques ainda virá na guerra com o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira, 2 de março de 2026, que suas Forças Armadas estão "dando uma surra" no Irã, mas que a "grande onda" de ataques ainda está por vir. Em entrevista breve à emissora americana CNN, o ocupante do Salão Oval abordou uma ampla gama de tópicos, incluindo a duração esperada do conflito, sua surpresa com a retaliação iraniana e o plano de sucessão após a morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.
Conflito deve terminar em quatro semanas
"Estamos dando uma surra neles. As coisas estão indo muito bem. O ataque é muito poderoso. Temos as melhores forças armadas do mundo e estamos usando-as", afirmou Trump durante a entrevista. O presidente americano voltou a estimar que o conflito deve acabar em quatro semanas, mas disse ainda que "estamos um pouco adiantados em relação ao cronograma".
"Não quero que dure muito tempo", martelou o chefe da Casa Branca, certamente atento às pesquisas de opinião que mostram que apenas um em cada quatro americanos aprova a incursão no Irã, com a memória fresca das intermináveis guerras no Iraque e Afeganistão ainda presente na população.
Futuro do regime iraniano
Ao ser questionado sobre o futuro do regime iraniano, Trump disse que os Estados Unidos farão mais do que ofensivas militares para ajudar o povo iraniano a retomar o controle de seu país, mas não explicou quais medidas seriam essas. Deu indícios apenas de que quaisquer ações ocorrerão em uma fase futura do conflito.
"Agora queremos que todos fiquem em casa. Não é seguro lá fora", afirmou o presidente, referindo-se à situação atual no território iraniano. Sobre a sucessão de Khamenei, que governou o país como líder supremo desde 1989 até ser morto nos ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel no último sábado, 28 de fevereiro, Trump demonstrou incerteza.
"Não sabemos quem os iranianos escolherão. Talvez tenham sorte e consigam alguém que saiba o que está fazendo", afirmou, acrescentando que a cadeia de comando no Irã "sofreu muito", com 49 baixas entre autoridades de alta patente, segundo suas informações.
Retaliação surpreendente
Durante a entrevista, Trump expressou surpresa com os ataques do Irã contra países árabes da região, incluindo Bahrein, Jordânia, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos. Ele afirmou conhecer os líderes dessas nações, descrevendo-os como "durões e inteligentes", e sugeriu que, apesar da "agressividade" da retaliação iraniana, o Oriente Médio já não estava em paz anteriormente porque vivia sob "a nuvem negra" da ameaça nuclear de Teerã.
Fracasso das negociações nucleares
A ofensiva israelo-americana ocorreu após o fracasso da última rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã sobre um acordo nuclear que controlaria o programa de enriquecimento de urânio da nação persa, vista como a possível última saída diplomática. Em junho de 2025, os Estados Unidos já haviam bombardeado instalações nucleares e militares iranianas durante o conflito entre Tel Aviv e Teerã.
Na semana passada, representantes dos dois países encerraram seis horas de negociações em Genebra sem avanço concreto sobre a principal exigência americana: o desmantelamento completo do programa nuclear iraniano. À CNN, Trump disse que sua equipe tentou negociar com os iranianos, mas "não conseguimos chegar a um acordo com essas pessoas".
Via militar como única opção
Trump reiterou nesta segunda-feira que a ação militar "é o caminho" para lidar com o Irã, lembrando da operação durante seu primeiro mandato que, em 2020, levou ao assassinato do general iraniano Qasem Soleimani, comandante da unidade de elite da Guarda Revolucionária Islâmica, bem como da "Operação Martelo da Meia-Noite", que no ano passado provocou sérios danos às principais instalações nucleares iranianas.
"Não precisamos nos preocupar com acordos", disparou o presidente, acusando o regime dos aiatolás de indiscriminadamente provocar destruição e desestabilização na região desde a Revolução Islâmica de 1979 e de promover ataques contra os Estados Unidos, seus aliados e interesses.
Críticas ao acordo de Obama
Trump também destilou críticas ao acordo nuclear assinado na era Barack Obama entre o Irã e potências ocidentais, classificando-o como "um erro grave" que teria dado "todo o poder ao Irã" e "aberto caminho para a bomba". As últimas negociações foram encerradas, ele acrescentou, porque os iranianos "não estavam dispostos a nos dar o que pedimos".
"Deveriam ter dado", disse Trump, antes de encerrar a entrevista, reafirmando sua posição de que a via militar é a única solução viável para o impasse nuclear com o Irã e garantindo que a "grande onda" de ataques americanos ainda está por vir.



