Trump mantém postura dura em relação ao Irã e descarta acordo imediato
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu publicamente que as condições atuais ainda não são suficientemente boas para a concretização de um acordo diplomático com o Irã que possa encerrar o conflito bélico em curso. Em uma entrevista exclusiva concedida à rede de televisão NBC News, o mandatário americano afirmou, de maneira categórica, que Teerã demonstra interesse em sentar-se à mesa de negociações, mas que Washington permanecerá firme em sua ofensiva militar.
Retórica inflamada e ameaças de novos ataques
"O Irã quer chegar a um acordo, e eu não quero fazê-lo porque as condições ainda não são suficientemente boas", declarou Trump à emissora. O presidente norte-americano também fez uma declaração considerada provocativa, ao afirmar que poderia ordenar novos bombardeios contra alvos estratégicos no principal centro de exportação de petróleo bruto do Irã, localizado na ilha de Kharg, "apenas por diversão". De acordo com informações divulgadas pelo Pentágono, mais de 15 mil alvos já foram atingidos em território iraniano desde o início das hostilidades.
Após mais de duas semanas de intensos combates envolvendo as forças dos Estados Unidos e de Israel contra a república islâmica, nenhuma das partes demonstrou sinais de moderação em sua retórica belicosa. Isso ocorre apesar das significativas baixas humanas, principalmente no lado iraniano, e das graves consequências econômicas decorrentes do conflito armado.
Estreito de Ormuz no centro das tensões
Trump também anunciou que as forças armadas americanas intensificarão os ataques na costa iraniana, ao norte do estratégico Estreito de Ormuz. O objetivo declarado é abrir caminho e permitir a retomada segura do transporte marítimo de petróleo. O bloqueio imposto pelo Irã a essa crucial passagem marítima, por onde tradicionalmente transitava aproximadamente um quinto da produção mundial de hidrocarbonetos, provocou uma disparada nos preços internacionais do petróleo.
O novo líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, que ainda não foi visto em público desde o início do conflito, prometeu em uma declaração por escrito manter o Estreito de Ormuz fechado para a navegação. No entanto, Trump levantou publicamente dúvidas sobre a situação e a autoridade do líder iraniano, declarando: "Não sei se ele está vivo". Em contrapartida, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, assegurou que "não há nenhum problema" com o novo líder, que aparentemente teria ficado ferido durante os primeiros dias da guerra.
Escalada militar e propostas de escolta naval
O Exército israelense anunciou, neste domingo, uma nova onda de ataques aéreos contra alvos localizados no oeste do Irã. Essa ação ocorreu após a Guarda Revolucionária Iraniana qualificar o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, como um criminoso e jurar publicamente persegui-lo e eliminá-lo. Paralelamente, o Exército iraniano afirmou ter lançado ataques com drones contra uma importante unidade policial e um centro de comunicações por satélite em território israelense.
Em um movimento diplomático e militar, Donald Trump propôs a formação de uma operação naval internacional para escoltar petroleiros através do conturbado Estreito de Ormuz. Essa iniciativa, segundo o presidente americano, reduziria a pressão sobre os preços do petróleo e garantiria o abastecimento energético para os países cujas economias estão mais expostas aos efeitos do conflito. "Com sorte, China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e outros que são afetados por essa restrição artificial enviarão navios para a região", afirmou Trump em uma publicação nas redes sociais no último sábado.
Hesitação internacional e impacto humanitário
Muitos dos países convocados parecem demonstrar hesitação em aderir à proposta. O Ministério da Defesa do Reino Unido informou que está "analisando" a questão, postura similar à adotada pela Coreia do Sul e pelo Japão, que não se manifestaram de forma clara e definitiva. O ministro das Relações Exteriores do Irã, por sua vez, pediu aos demais países que evitem qualquer ação que possa ampliar ou intensificar a guerra, durante uma conversa telefônica com seu homólogo francês, Jean-Noël Barrot.
Os ataques continuam a se multiplicar na região. Bahrein e Arábia Saudita afirmaram ter interceptado com sucesso novos projéteis. Em Manama, capital do Bahrein, um jornalista da Agence France-Presse (AFP) relatou ter ouvido claramente as sirenes de alerta aéreo. Na noite de sábado, as autoridades de Dubai também informaram a realização de novas interceptações por seus sistemas de defesa aérea.
O conflito, que teve início em 28 de fevereiro com ataques coordenados dos Estados Unidos e de Israel que resultaram na morte do antigo líder supremo iraniano, Ali Khamenei, pai de Mojtaba, já causou um impacto humanitário devastador. Segundo números divulgados pelo Ministério da Saúde do Irã, mais de 1.200 pessoas perderam a vida como consequência direta dos ataques, embora esses dados não tenham sido verificados de forma independente. A Agência da ONU para os Refugiados (ACNUR) estima que até 3,2 milhões de pessoas já tenham sido deslocadas internamente no Irã devido aos combates.
Pela primeira vez desde o início da guerra, Teerã viveu, neste domingo, um dia útil relativamente normal. O trânsito nas ruas apresentou-se mais intenso do que na semana anterior, e alguns cafés e restaurantes reabriram suas portas. No popular Bazar de Tayrish, localizado na zona norte da capital iraniana, mais de um terço das lojas retomaram suas atividades, a apenas cinco dias da celebração do Noruz, o tradicional Ano-Novo persa.



