Trump enfrenta baixa aprovação sobre guerra no Irã enquanto Israel mantém apoio sólido
Trump com baixa aprovação na guerra Irã; Israel apoia ofensiva

Contraste marcante: Trump perde apoio enquanto Israel sustenta guerra contra o Irã

A guerra contra o Irã está colocando o trumpismo à prova nos Estados Unidos, expondo fissuras significativas na base MAGA que sustenta o presidente americano Donald Trump. Enquanto isso, em Israel, o cenário é completamente diferente, com um apoio sólido e consistente da população à ofensiva bélica do governo de Benjamin Netanyahu contra o regime dos aiatolás.

Israel vive sob sirenes mas mantém apoio firme à ofensiva

Nos últimos 19 dias, os israelenses têm vivido sob o som constante de sirenes de alerta, que tocaram mais de 60 mil vezes devido à ameaça representada por 480 mísseis e drones lançados pelo Irã e 900 disparados pelo grupo extremista libanês Hezbollah. Este cenário resultou em aproximadamente 30 mortes e 3.700 feridos, mas mesmo assim, o apoio à guerra contra a República Islâmica permanece forte desde o primeiro momento.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto da Democracia de Israel, dez dias após o início do conflito, revelou dados impressionantes: 81% da população aprova a guerra. Este índice sobe para 92,5% quando os árabes israelenses são excluídos da enquete. Cerca de 70% dos israelenses judeus acreditam que o programa nuclear iraniano e a ameaça de mísseis balísticos podem ser eliminados com a ofensiva atual, enquanto 61% creem que o regime pode ser derrubado completamente.

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Netanyahu tem apoio para a guerra mas não ganha popularidade geral

O respaldo maciço dos israelenses à ofensiva militar, contudo, não se traduz num impulso significativo à popularidade de Netanyahu e sua coalizão governista. Há aproximadamente um ano e meio, os partidos que sustentam o primeiro-ministro situam-se abaixo da atual maioria parlamentar de 64 das 120 cadeiras do Parlamento.

Dalila Scheindlin, pesquisadora de opinião pública e colunista do jornal Haaretz, pondera que Netanyahu teve poucos ganhos políticos até agora. Em uma pesquisa do Instituto de Estudos de Segurança Nacional publicada há uma semana, apenas 38% dos entrevistados disseram confiar no primeiro-ministro - um aumento de apenas 4 pontos percentuais em relação à semana anterior.

"A única exceção é o fato de que a maioria dos israelenses realmente confia em Netanyahu para administrar esta guerra (eles simplesmente não confiam nele em geral): 53%, segundo a pesquisa do Canal 13, e 64% na pesquisa do Instituto de Democracia de Israel", analisa Scheindlin, ressaltando a estagnação na dinâmica eleitoral do país.

Crise de aprovação de Trump contrasta com realidade israelense

Enquanto Israel mantém seu apoio à guerra, nos Estados Unidos, Donald Trump enfrenta uma crescente crise de aprovação relacionada ao conflito. A disparada dos preços do petróleo e do gás, o isolamento diante de aliados tradicionais - que ignoraram o apelo do presidente para intervir no Estreito de Ormuz - e a rejeição da maioria dos americanos à intervenção militar no Irã parecem deixar Trump cada vez mais distante do ansiado momento de declarar vitória.

Outra razão pela qual os israelenses se sentem seguros para apoiar a guerra é justamente a participação dos Estados Unidos. O panorama poderia mudar drasticamente se Trump abandonasse Netanyahu e se retirasse do conflito, uma possibilidade que ganha força diante da pressão interna sobre o presidente americano para encerrar o envolvimento militar.

Renúncia de alto funcionário agrava crise de Trump

A conjunção de crises para a administração Trump se agravou com a dramática renúncia do diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, Joe Kent, que deixou o cargo por não concordar com a guerra. Kent afirmou que o regime iraniano não representava ameaça iminente aos Estados Unidos e alegou que o governo embarcou na ofensiva principalmente por pressão de Israel.

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Diante da repercussão negativa da saída abrupta de um subordinado de alto escalão, Trump agiu por impulso, como é seu costume, qualificando Kent como "muito fraco em segurança". A reação do presidente pegou mal, especialmente considerando que Kent era um apoiador obstinado do presidente, teórico da conspiração e membro declarado do movimento MAGA, nomeado 13 meses antes para liderar o principal órgão que analisa ameaças terroristas e compartilha informações com outras agências federais.

Este episódio ilustra as profundas divisões dentro da administração americana sobre a guerra no Irã, criando um contraste ainda mais marcante com a unidade de propósito demonstrada pela sociedade israelense frente ao mesmo conflito.