O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou seu confronto com a Otan, descrevendo a aliança militar criada por Washington em 1949 como um "tigre de papel" sem a participação americana e rotulando seus aliados de "covardes". Em uma postagem na rede Truth Social nesta sexta-feira (20), Trump escreveu em letras maiúsculas: "SEM OS EUA, A OTAN É UM TIGRE DE PAPEL". Ele criticou os países membros por não se juntarem à luta para impedir um Irã nuclear, afirmando que, agora que o conflito está militarmente vencido, eles reclamam dos altos preços do petróleo, mas se recusam a ajudar na reabertura do Estreito de Hormuz. "COVARDES, e nós vamos NOS LEMBRAR", completou.
Imprecisões e contradições nas declarações de Trump
Como é comum em suas intervenções, a agressividade de Trump é permeada por imprecisões ou mentiras. Não há registros de que os Estados Unidos e Israel tenham consultado qualquer um dos 31 países da Otan para participar do ataque ao Irã, que completa três semanas neste sábado (21). Além disso, surge uma questão de lógica formal: se a guerra já está ganha, por que o pedido de ajuda? Em relação ao Estreito de Hormuz, corredor crucial para 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo antes do conflito e agora virtualmente fechado pelo Irã, a fala do republicano representa mais um vaivém em sua posição.
Falta de apoio internacional e desafios logísticos
No fim de semana passado, Trump instou países europeus e asiáticos a enviarem navios de guerra para ajudar a manter a navegação comercial na região de Hormuz. No entanto, ninguém aceitou o chamado, com nações como a Alemanha ressaltando literalmente que "esta guerra não é da Europa". O problema é que reabrir o estreito não é simples; implica na destruição das capacidades militares do Irã na área, um processo que os EUA estão tentando acelerar. Enviar fragatas para escoltas as tornaria alvos fáceis, sem mencionar os riscos colocados por minas navais.
Contrariado pela falta de apoio, Trump passou à ofensiva, declarando que não "queria nem desejava" mais a ajuda da Otan ou de países da Ásia e Oceania para a missão, repetindo que já venceu a guerra. Simultaneamente, ele descartou uma trégua, afirmando: "Veja, nós podemos dialogar, mas eu não quero um cessar-fogo. Você não faz um cessar-fogo quando está obliterando o outro lado". Logo após essas declarações, um ataque de Israel à porção iraniana do maior campo de gás natural do mundo desencadeou uma retaliação dura do Irã na quinta-feira (19), atingindo o maior terminal da commodity no planeta, localizado no Qatar.
Impacto no mercado energético e tensões crescentes
Segundo a estatal de energia local, mais de 15% da produção já paralisada agora está comprometida, resultando em um caos no mercado energético mundial, com disparada nos preços do petróleo e gás. A turbulência foi reduzida após ficar claro, depois de trocas de ameaças, que os ataques à infraestrutura de gás pararam, embora o Irã continue alvejando refinarias de petróleo, como ocorreu nesta sexta-feira no Kuwait. Pressionado, Trump voltou a criticar os europeus, que na véspera haviam divulgado uma nota com o Japão prometendo ajudar na reabertura de Hormuz, mas sem se comprometer com operações militares.
Crise contínua com a Otan e contexto histórico
O recado à aliança ocorre após relatos de que o comando americano decidiu retirar parte do pessoal mantido no Iraque devido ao aumento de ataques de insurgentes pró-Irã a alvos ocidentais, no âmbito da guerra. A Otan confirmou a movimentação, mas disse que não daria detalhes. Esta postagem marca um novo capítulo na crise contínua de Trump com a Otan, um alvo constante desde seu primeiro mandato, de 2017 a 2021. A Guerra da Ucrânia se tornou um ponto contencioso, com o americano defendendo que o conflito era um problema europeu.
No ano passado, o republicano já havia repassado a conta da ajuda ocidental à Ucrânia contra a invasão russa aos aliados europeus. Na cúpula anual do clube, ele fez a aliança prometer aumentar sua meta de gastos militares de 2% para 5% do PIB de cada membro em uma década. Essas ações refletem uma postura assertiva que continua a gerar tensões e debates sobre o futuro das relações internacionais e a eficácia da Otan em meio a conflitos globais.



