Trump ameaça atacar Irã em 15 dias e bases dos EUA no Oriente Médio entram em alerta
Trump ameaça atacar Irã em 15 dias; bases dos EUA em alerta

Trump ameaça ataque ao Irã em até 15 dias e bases dos EUA no Oriente Médio entram em alerta máximo

As bases militares norte-americanas no Oriente Médio estão no centro da escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã. O regime iraniano ameaçou atingir essas instalações caso seja atacado, e um conflito entre os países pode estar próximo. Na última sexta-feira, 20 de fevereiro, o ex-presidente Donald Trump confirmou que avalia atacar alvos no Irã, com um prazo potencial de 15 dias para um acordo.

A maior base dos EUA no Oriente Médio e a preparação para um eventual ataque

A maior base dos Estados Unidos no Oriente Médio fica no Catar. É a de Al Udeid, que abriga cerca de 10 mil soldados. Outras bases da região, principalmente na Jordânia, têm sido utilizadas para acumular jatos de guerra para um eventual ataque contra o Irã. Al Udeid, no entanto, é apenas uma peça de uma engrenagem muito mais ampla.

Os EUA possuem uma presença militar global e têm aparatos de guerra e tropas em todos os continentes do mundo. São cerca de 170 mil tropas postadas em aproximadamente 800 instalações militares em dezenas de países com os quais os EUA têm parceria. Dessas 800 instalações, 128 delas são bases militares, distribuídas por 51 países em cinco continentes, segundo um levantamento de 2024 do Congresso norte-americano.

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Bases militares costumam ter uma maior magnitude e possuem infraestrutura para alojamento de tropas, armazenamento de equipamentos e funções de defesa e logística. O posicionamento e distribuição dessas instalações militares e tropas têm importância estratégica fundamental para as pretensões geopolíticas dos EUA e servem principalmente para a contenção de seus adversários e projeção de poder militar, conforme explicou Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador de Harvard.

Bases dos EUA no Oriente Médio em risco de retaliação iraniana

Os Estados Unidos possuem 19 bases militares no Oriente Médio, oito delas controladas pelo país e outras 11 com presença de tropas e equipamentos militares, segundo o Congresso norte-americano. A distribuição inclui:

  • Kuwait: 5 bases
  • Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Arábia Saudita e Síria: 2 bases cada
  • Egito, Jordânia, Omã, Catar: 1 base cada

Em janeiro, países da Península Arábica, que têm alguns dos maiores aliados dos EUA no Oriente Médio, proibiram o governo Trump de utilizar seus espaços aéreos e terrestres para lançar um ataque contra o Irã. Foi o caso da Arábia Saudita, da Jordânia e dos Emirados Árabes Unidos. Esses países temem que uma agressão militar norte-americana leve a uma guerra de grandes proporções no Oriente Médio. Afinal, o Irã prometeu retaliar qualquer ataque e bombardear bases aéreas dos EUA na região.

A tensão crescente colocou as bases americanas no Oriente Médio de prontidão para um possível ataque iraniano. Contextualmente, a Al Udeid foi atacada em 2025 pelo Irã em retaliação a bombardeios dos EUA contra instalações nucleares. Em janeiro deste ano, a base entrou em alerta máximo e evacuou parte do pessoal. No início de fevereiro, o Exército norte-americano posicionou baterias móveis de defesa aérea Patriot no local.

Presença militar dos EUA na Europa e na Groenlândia

Os Estados Unidos possuem 50 bases militares na Europa, 31 delas controladas pelo país e outras 19 com presença de tropas e equipamentos militares, segundo o Congresso norte-americano. A quantidade por país inclui:

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  • Itália: 7 bases
  • Alemanha: 6 bases
  • Reino Unido e Polônia: 5 bases cada
  • Bélgica, Grécia e Romênia: 3 bases cada
  • Bulgária, Espanha, Hungria, Lituânia e Turquia: 2 bases cada
  • Chipre, Estônia, Groenlândia, Islândia, Letônia, Noruega, Portugal (Açores) e Kosovo: 1 base cada

A Groenlândia está geograficamente situada na América do Norte, mas possui laços históricos e políticos profundos com a Europa, por ser um território autônomo da Dinamarca. Quando Trump intensificou sua investida para anexar a Groenlândia aos EUA, países europeus membros da Otan consideraram questionar a presença militar norte-americana em bases espalhadas pelo continente. O debate, no entanto, não avançou por ser considerado uma medida extrema.

Isso porque a presença de tropas dos EUA nessas bases é regulamentada por tratados bilaterais, conforme destacou o professor Brustolin. Além disso, a parceria é estratégica e benéfica tanto para a Europa quanto para os EUA. Afinal, Washington mantém cerca de 100 ogivas nucleares espalhadas pelo continente como dissuasão contra ameaças da Rússia.

Falando na Rússia, os EUA aumentaram sua presença militar na Europa a partir de 2022, por conta do início da guerra da Ucrânia. Posicionaram ou estenderam a permanência de mais de 20 mil tropas e incrementaram capacidades aéreas, terrestres, marítimas, cibernéticas e espaciais, segundo o Congresso dos EUA. Já a base militar dos EUA em Nuuk, na Groenlândia, mantém cerca de 130 soldados. Pelo acordo firmado em 1951 com a Dinamarca, Washington pode mobilizar no local o contingente que considerar necessário.

Estratégia global das bases militares dos EUA

Os Estados Unidos são uma superpotência militar mundial e possuem a maior rede de bases militares estrangeiras, segundo institutos especializados em estudos militares. São 128 bases militares em 51 países. Segundo o Congresso dos EUA, as principais razões estratégicas para manter bases pelo mundo são:

  1. Facilitar respostas militares rápidas fora dos EUA quando necessário
  2. Dissuadir adversários de atacar os EUA ou seus aliados e parceiros
  3. Garantir a segurança dos países aliados e parceiros dos EUA

O país gasta mais de US$ 70 bilhões (R$ 364 bilhões) por ano para manter suas instalações militares no exterior, segundo dados de outubro de 2025. São 230 mil militares, entre tropas da ativa e civis funcionários do Departamento de Guerra e membros da Guarda Nacional, posicionados entre essas instalações. Desses, cerca de 170 mil são tropas da ativa.

Soldados norte-americanos estão presentes em centenas de outras instalações militares, que variam em tamanho e função. Um estudo da University of California Press de 2020 mapeou as cerca de 800 instalações militares dos EUA pelo mundo. É possível que a atual configuração das forças norte-americanas sofra alterações nos próximos anos por conta de iniciativas próprias da Casa Branca de Trump, como um aumento do foco no Hemisfério Ocidental e na América Latina.

Mesmo assim, atualmente, uma grande mudança parece improvável, segundo o professor Vitelio Brustolin. "Os novos documentos estratégicos dos EUA deixam claro que a segurança das Américas como parte central da segurança nacional direta e prioritária para os EUA, diferentemente de Ásia e Europa, onde o foco é secundário. Mas isso não significa necessariamente que os EUA busquem novas bases militares na América Latina", afirmou Brustolin.

Segundo o professor, os Estados Unidos não precisam construir novas bases militares na América Latina porque já é possível projetar poder a partir de seu próprio território, como comprovado durante a campanha de pressão contra o ditador venezuelano deposto Nicolás Maduro. No hemisfério ocidental, o objetivo dos EUA é expulsar a influência de Rússia e China, segundo Brustolin, e "não necessariamente com a colocação de mais bases, mas buscando fazer com que os países da região se submetam aos Estados Unidos, seja de forma amigável ou não".