Rússia alerta que envio de tropas europeias à Ucrânia prolongaria guerra e acusa Kiev de buscar armas nucleares
Nesta quinta-feira (26), a Rússia emitiu um alerta contundente sobre o conflito na Ucrânia, que completa quatro anos desde seu início. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, declarou que qualquer envio de tropas de países europeus para o território ucraniano teria o efeito oposto ao desejado: em vez de encerrar a guerra, prolongaria o conflito e aumentaria significativamente o risco de um confronto militar em larga escala envolvendo múltiplas nações.
Resposta a declaração britânica sobre envio de tropas
A declaração de Zakharova foi uma resposta direta ao pronunciamento do ministro da Defesa do Reino Unido, John Healey, feito no fim de semana anterior. Em entrevista a um jornal britânico, Healey afirmou que desejava enviar militares do país para a Ucrânia e que essa decisão significaria que "a guerra finalmente acabou".
"Ao contrário da ideia errônea de Healey, o envio de tropas britânicas para a Ucrânia não significará o fim da guerra, mas sim um prolongamento do conflito e um aumento do risco de um confronto militar em larga escala envolvendo muitos outros países", afirmou Zakharova de maneira enfática.
Acusações russas sobre busca por armas nucleares
Na terça-feira (24), coincidindo com o aniversário de quatro anos da guerra, a Rússia elevou o tom das acusações ao afirmar que a Ucrânia estaria tentando conseguir armas nucleares com a ajuda de França e Reino Unido. A alegação partiu de um relatório do serviço de inteligência externa da Rússia (SVR), divulgado na mesma data.
Segundo o SVR, Londres e Paris estariam "trabalhando ativamente" para fornecer à Ucrânia ogivas nucleares e sistemas de lançamento, com o objetivo posterior de fazer parecer que Kiev as teria obtido por conta própria. O órgão russo afirmou que os dois países europeus acreditam que a Ucrânia se colocaria em uma posição mais vantajosa nas negociações para encerrar a guerra "se possuísse uma bomba nuclear ou, ao menos, uma chamada 'bomba suja'".
Uma "bomba suja" é definida como um artefato explosivo que contém material radioativo, capaz de contaminar uma ampla área, mas que é completamente diferente de uma arma atômica projetada para provocar uma explosão nuclear massiva.
Rejeições veementes das acusações
Os governos ucraniano, francês e britânico rejeitaram imediatamente as acusações russas. A Ucrânia classificou a alegação como "absurda", com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Heorhii Tykhyi, declarando à Reuters: "Autoridades russas, conhecidas por seu impressionante histórico de mentiras, estão mais uma vez tentando fabricar a velha bobagem da 'bomba suja'".
Tykhyi acrescentou que a Ucrânia já negou tais alegações muitas vezes antes e reafirmou que o país não busca readquirir armas nucleares, respeitando todos os tratados internacionais. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França chamou a acusação de "desinformação flagrante", enquanto um representante do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que "não há nenhuma verdade" na afirmação russa.
Contexto histórico e posicionamentos recentes
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já criticou anteriormente a decisão de Kiev nos anos 1990 de abrir mão de seu antigo arsenal nuclear soviético sem obter garantias de segurança adequadas e juridicamente vinculantes. Naquela época, Estados Unidos, França, Reino Unido e a própria Rússia se comprometeram em defender a Ucrânia caso o país fosse invadido.
Também na terça-feira, Zelensky afirmou que a Rússia não conseguiu alcançar seus objetivos de guerra, enquanto o Kremlin prometeu continuar o conflito até que isso aconteça. Após o relatório do SVR, o presidente russo, Vladimir Putin, declarou que os adversários de Moscou provavelmente sabem como poderia terminar qualquer ataque à Rússia utilizando um "elemento nuclear".
O assessor de política externa do Kremlin, Yuri Ushakov, afirmou que a Rússia informará os Estados Unidos sobre o que alega serem tentativas da Ucrânia de obter armas nucleares, destacando que isso influenciaria a posição russa nas negociações para resolver o conflito.
Tensões nucleares e críticas internacionais
O Ministério das Relações Exteriores russo emitiu um comunicado advertindo "sobre os riscos de um confronto militar direto entre potências nucleares e, consequentemente, sobre suas potenciais consequências graves". Ao longo do conflito, Moscou tem emitido repetidas ameaças nucleares veladas na tentativa de dissuadir o Ocidente de ampliar excessivamente seu apoio à Ucrânia.
Aliados dos Estados Unidos têm criticado o presidente norte-americano, Donald Trump, por parecer dar ouvidos à retórica e às demandas vindas de Moscou nas tratativas de paz. O cenário permanece extremamente tenso, com acusações mútuas e alertas sobre a escalada do conflito que já completa quatro anos sem perspectivas claras de resolução.



