Príncipe herdeiro exilado vê oportunidade após ofensiva ocidental
Em meio à tensão geopolítica que se intensificou nas últimas horas, Reza Pahlavi, príncipe herdeiro do trono iraniano no exílio, utilizou a rede social X para enviar uma mensagem contundente ao povo de seu país. A publicação ocorreu momentos após os Estados Unidos e Israel lançarem ataques a cidades iranianas, em uma escalada de conflito que preocupa a comunidade internacional.
Na mensagem, Pahlavi declarou que a "ajuda americana finalmente chegou" e afirmou, com otimismo, que o "momento de retornar às ruas está próximo". Ele detalhou sua interpretação dos eventos, caracterizando a intervenção como humanitária e direcionada especificamente contra a República Islâmica, seu aparelho de repressão e sua máquina de matar – explicitamente isentando o grande país e seu povo do alvo das ações.
Uma figura de contrastes na oposição iraniana
Ao longo dos protestos de janeiro contra o regime dos aiatolás, o nome de Reza Pahlavi emergiu como um favorito para suceder Ali Khamenei, segundo alguns setores. Para seus apoiadores, ele representa a principal figura de oposição e o legítimo herdeiro do trono em Teerã. Contudo, sua trajetória é marcada por controvérsias e distância física de sua terra natal, que não pisa desde 1978.
Analistas políticos apresentam visões divergentes sobre seu papel. Enquanto alguns o enxergam como um símbolo de resistência, outros, como o jornalista Guga Chacra, o descrevem como um "playboy filho de ditador que vive no exterior", questionando sua legitimidade para governar um Irã pós-Revolução Islâmica.
Raízes históricas e o peso de uma dinastia
Para compreender a posição de Pahlavi no complexo xadrez político iraniano, é necessário recuar até meados do século XX, antes da Revolução Islâmica de 1979. Nascido em 31 de outubro de 1960, Reza Pahlavi é filho do então xá Mohammad Reza Pahlavi, que governou o país como uma ditadura com apoio ocidental.
Seu reinado foi um período de paradoxos:
- Modernização acelerada e crescimento econômico impressionante, com taxas anuais do PIB entre 8% e 11%.
- Forte repressão política através do temido serviço secreto Savak.
- Crescente insatisfação popular alimentada pela desigualdade de renda.
A mobilização contra a monarquia encontrou sua liderança máxima em Ruhollah Khomeini, um aiatolá que, após ser exilado, retornou para abolir a monarquia e instaurar a República Islâmica do Irã em 1979, concentrando o poder nas mãos dos clérigos xiitas.
Exílio, tragédias e ambições políticas
Após a queda da dinastia, Reza Pahlavi acompanhou o destino de sua família no exílio, percorrendo diversos países até se estabelecer nos Estados Unidos. Em meio a tragédias pessoais – incluindo a perda de dois irmãos mais novos –, manteve-se vocal sobre os rumos políticos do Irã.
Em declarações públicas, como em uma conferência de 2018 no Washington Institute for Near East Policy, Pahlavi expressou seu desejo por um Irã democrático, parlamentar e secular, deixando a forma final do Estado para decisão do povo. Essa postura ambígua sobre uma possível ascensão ao trono divide até mesmo a comunidade iraniana na diáspora.
O fantasma do golpe de 1953 e a curta dinastia Pahlavi
A referência histórica ao golpe de 1953 é crucial para entender as críticas à dinastia Pahlavi. Naquele ano, com apoio da CIA e do Reino Unido em uma operação chamada "Operação Ajax", o xá Mohammad Reza Pahlavi derrubou o popular primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, que havia nacionalizado o petróleo iraniano. Esse episódio é visto como o momento em que o regime monárquico inclinou-se definitivamente para o autoritarismo, com o apoio paradoxal dos aiatolás da época, que eram contrários ao laicismo de Mossadegh.
A dinastia Pahlavi, vale ressaltar, tem uma história relativamente breve no contexto milenar iraniano. Fundada em 1925 por Reza Khan, um militar apoiado pelos britânicos, seu reinado foi interrompido em 1941 quando forças aliadas invadiram o Irã durante a Segunda Guerra Mundial, temendo uma aliança com a Alemanha nazista. O primeiro xá Pahlavi foi forçado a abdicar em favor do filho e morreu no exílio – um destino que se repetiria com seu herdeiro e que talvez possa ser revertido com seu neto, segundo a narrativa atual.
Neste momento de incerteza e confronto, as palavras de Reza Pahlavi ecoam como um chamado à mobilização, enquanto o mundo observa atentamente os desdobramentos no Irã e as complexas forças políticas que buscam moldar seu futuro.
