Proteções contra armas nucleares enfraquecem: especialistas alertam para risco crescente
O perigo representado pelas armas nucleares torna-se cada vez mais real à medida que as proteções internacionais contra essas armas de destruição em massa vão caindo. Especialistas advertem que um eventual conflito nuclear com os arsenais existentes atualmente poderia ser extremamente curto do ponto de vista militar, mas devastador em escala planetária, com efeitos que se estenderiam por muitos anos.
Dinâmica diferente das guerras convencionais
Apesar de a expressão "guerra" sugerir combates prolongados, especialistas explicam que um confronto nuclear total teria uma dinâmica completamente diferente das guerras convencionais. O mundo conta hoje com nove países detentores de armas de destruição em massa: Estados Unidos, Israel, Rússia, Reino Unido, França, Paquistão, Índia, China e Coreia do Norte.
"É muito difícil responder quanto tempo duraria um conflito nuclear, mas uma guerra total nuclear envolvendo esses países, especialmente Estados Unidos, Rússia e China, poderia levar à destruição do mundo", afirma Marco Antônio Saraiva Marzo, físico nuclear e engenheiro nuclear.
Retaliação imediata e escalada rápida
Estudos estratégicos trabalham com a hipótese de retaliação imediata: um ataque nuclear seria respondido quase automaticamente pelo país atingido, desencadeando uma sequência rápida de contra-ataques. "Esse é um exercício mental que diz assim, que diante de um ataque nuclear haveria uma retaliação imediata do atacado com armas nucleares, levando a um contra-ataque e a uma escalada", complementa Matias Spektor, professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas em São Paulo.
Spektor adverte ainda que "haveria ou aniquilação mútua ou você emitiria tanta radiação no planeta que acabaria a vida na Terra", destacando a gravidade extrema de um cenário desse tipo.
Impacto atingiria todos os continentes
Os especialistas alertam que os efeitos de um conflito nuclear não ficariam restritos às regiões diretamente envolvidas no confronto. "Parece que o risco nuclear é uma coisa lá dos países do norte, mas se houver uma guerra nuclear total, todos os continentes, o hemisfério norte, o hemisfério sul, todos são atingidos. Esse é um problema também nosso", comenta Marco Antônio.
O professor Matias Spektor finaliza com um alerta contundente: "O lance com a guerra nuclear é que a gente nunca viveu uma e é melhor assegurar que a gente nunca viverá uma", enfatizando a importância de medidas preventivas.
Arsenais em expansão e tratados expirados
Além da possibilidade de novos integrantes no clube nuclear, as potências que já possuem essas armas seguem ampliando ou modernizando seus estoques de forma preocupante. "Todos os países nucleares, sem exceção, estão modernizando seus arsenais. A China está expandindo o seu arsenal nuclear tremendamente", aponta Marco Antônio.
O físico nuclear destaca ainda que "a semana passada expirou o último tratado de redução de armas nucleares estratégicas entre Rússia e Estados Unidos. Isso significa que hoje não existe nenhum tratado em vigor de redução de armas nucleares no mundo", revelando um cenário de desproteção crescente.
Marco Antônio conclui com uma avaliação sombria sobre o estado atual do desarmamento nuclear: "O desarmamento nuclear está praticamente paralisado há décadas", indicando que as proteções internacionais contra essas armas estão efetivamente enfraquecendo em todo o planeta.
