Príncipe herdeiro da Arábia Saudita pressiona Trump a continuar guerra contra Irã, diz ‘NYT’
O príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, tem pressionado ativamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a continuar com a guerra no Irã, conforme revelou o jornal americano The New York Times nesta terça-feira, 24 de março de 2026. Segundo fontes familiarizadas com o assunto, bin Salman teria argumentado que uma campanha militar contra Teerã representa uma “oportunidade histórica” para remodelar completamente o Oriente Médio.
Conflito desencadeado por ataques conjuntos
O conflito foi desencadeado em 26 de fevereiro por ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra o território iraniano, após as negociações nucleares terem fracassado. Os líderes têm mantido conversas intensas ao longo da última semana, nas quais o príncipe herdeiro teria incentivado o republicano a destruir por completo o governo iraniano, de acordo com as informações publicadas pelo NYT.
Para tentar convencer o mandatário da Casa Branca, bin Salman teria afirmado que o Irã constitui uma ameaça de longo prazo para a estabilidade do Golfo. Ele também teria incentivado operações terrestres e o envio de tropas americanas para tomar o controle da infraestrutura energética iraniana, forçando assim a queda do regime, acrescentaram as fontes consultadas pelo jornal.
Situação complicada para Riad
Riad atualmente lida com uma situação complicada, utilizando estoques do sistema de defesa aéreo americano Patriot para se defender da ofensiva iraniana. A questão crítica é que os interceptores estão em falta em todo o mundo, o que aumenta a vulnerabilidade da Arábia Saudita.
Embora o príncipe herdeiro pareça profundamente interessado em incentivar as hostilidades, altos funcionários americanos e sauditas demonstram preocupação significativa de que um conflito prolongado abra espaço para ataques do Irã a instalações petrolíferas da Arábia Saudita, com efeitos potencialmente devastadores para a economia do reino.
Impactos no mercado global de petróleo
Os bombardeios iranianos e as ameaças contínuas ao Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global de petróleo, já têm provocado sérios problemas no mercado e aumentado o temor da disparada dos preços ao redor do mundo. Na tentativa de contornar esses desafios, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos têm recorrido a oleodutos para desviar do Estreito, mas essas alternativas também estão sob ataque constante.
Preocupação estratégica e discurso oficial divergente
A preocupação central de bin Salman, segundo analistas ouvidos pelo NYT, é que o Oriente Médio terá de lidar com um Irã furioso e revanchista caso os Estados Unidos decidam colocar um ponto final na guerra. No entanto, pelas vias oficiais, o discurso adotado é completamente diferente.
Em nota oficial enviada ao jornal americano, o governo saudita negou veementemente que o príncipe tenha pressionado pelo prolongamento do confronto. “O reino da Arábia Saudita sempre apoiou uma resolução pacífica para este conflito, mesmo antes de seu início”, afirmou em comunicado, acrescentando que as autoridades “permanecem em contato próximo com o governo Trump e nosso compromisso permanece inalterado”.
O comunicado prosseguiu: “Nossa principal preocupação hoje é nos defender dos ataques diários contra nosso povo e nossa infraestrutura civil. O Irã optou por uma política de risco perigosa em vez de soluções diplomáticas sérias. Isso prejudica todos os envolvidos, mas principalmente o próprio Irã.”



