Paquistão bombardeia Cabul em escalada dramática de conflito fronteiriço
O Afeganistão acusou o Paquistão de realizar um ataque aéreo devastador contra um hospital para usuários de drogas na capital Cabul na noite de segunda-feira (16), resultando em pelo menos 400 mortos e 250 feridos, segundo autoridades afegãs. O Paquistão rejeitou veementemente as alegações, afirmando que seus bombardeios, também conduzidos no leste do Afeganistão, visavam exclusivamente instalações militares e infraestrutura de apoio terrorista, sem causar danos colaterais a civis. Este evento marca uma escalada dramática de um conflito que começou no final de fevereiro, com repetidos confrontos fronteiriços e ataques aéreos dentro do território afegão, enquanto apelos internacionais por um cessar-fogo permanecem ignorados.
Afeganistão descreve cena de horror após ataque a hospital
Hamdullah Fitrat, porta-voz adjunto do governo do Afeganistão, relatou em uma publicação no X que o ataque aéreo ocorreu por volta das 21h (horário local), destruindo grandes seções do hospital de 2.000 leitos. Ele afirmou que o número de mortos atingiu "até agora" 400 pessoas, com equipes de resgate trabalhando para controlar incêndios e recuperar corpos. Estações de televisão locais postaram imagens mostrando forças de segurança usando lanternas para transportar vítimas, enquanto bombeiros lutavam contra as chamas entre as ruínas do edifício. O ataque seguiu-se a trocas de tiros ao longo da fronteira comum que mataram quatro pessoas no Afeganistão horas antes.
Zabihullah Mujahid, porta-voz do governo afegão, condenou o ataque no X, acusando o Paquistão de "visar hospitais e locais civis para perpetrar horrores". Ele enfatizou que os mortos e feridos eram pacientes do hospital, declarando: "Condenamos veementemente este crime e consideramos tal ato contra todos os princípios aceitos e um crime contra a humanidade". A resposta emocional foi capturada em imagens de um homem chorando ao lado do corpo de uma criança morta em um ataque anterior, ilustrando o custo humano do conflito em curso.
Paquistão nega acusações e justifica ataques como precisos
Mosharraf Zaidi, porta-voz do primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, rejeitou as alegações como infundadas, insistindo que nenhum hospital foi alvo em Cabul. O Ministério da Informação do Paquistão afirmou em uma publicação no X que os ataques "visaram precisamente instalações militares e infraestrutura de apoio terrorista, incluindo armazenamento de equipamentos técnicos e armazenamento de munição do Talibã afegão" e militantes paquistaneses baseados no Afeganistão. O ministério destacou que o direcionamento foi "preciso e cuidadosamente realizado para garantir que nenhum dano colateral fosse infligido", classificando a alegação de Mujahid como "falsa e enganosa" e destinada a estimular sentimentos contra o Paquistão.
O governo paquistanês acusa Cabul de abrigar grupos militantes, particularmente o Talibã paquistanês, que supostamente realiza ataques dentro do Paquistão. Em resposta, o Paquistão declarou estar em "guerra aberta" com o Afeganistão, com o ministro da Informação Attaullah Tarar alegando que os militares mataram 684 forças do Talibã afegão, uma afirmação contestada pelo Afeganistão. O presidente paquistanês Asif Ali Zardari argumentou que a administração do Talibã no Afeganistão cruzou uma "linha vermelha" ao implantar drones que feriram civis no Paquistão.
Contexto internacional e apelos por paz
O ataque ocorreu horas após o Conselho de Segurança da ONU pedir aos governantes do Talibã no Afeganistão que intensifiquem imediatamente os esforços para combater o terrorismo. A resolução, adotada por unanimidade, condena "nos termos mais fortes toda a atividade terrorista" e estende a missão política da ONU no Afeganistão, UNAMA, por três meses. O conflito alarmou a comunidade internacional, dada a presença de organizações militantes como a Al-Qaeda e o grupo Estado Islâmico na região, que tentam ressurgir.
Os combates recentes começaram no final de fevereiro, após o Afeganistão lançar ataques transfronteiriços em resposta a ataques aéreos paquistaneses que Cabul disse terem matado civis. Isso interrompeu um cessar-fogo mediado pelo Catar em outubro, após combates anteriores terem resultado em dezenas de mortes. Abdul Salam Hanafi, vice-primeiro-ministro administrativo do Afeganistão, expressou pesar pelas baixas civis, afirmando que a guerra foi imposta ao Afeganistão e que defender a soberania é dever de todos os cidadãos. Enquanto isso, o Paquistão continua a justificar suas ações como necessárias para proteger civis inocentes de ataques terroristas baseados no Afeganistão.



