Netanyahu reafirma que não há cessar-fogo no Líbano e Israel intensifica ataques ao Hezbollah
Netanyahu diz que não há cessar-fogo no Líbano e Israel ataca

Netanyahu insiste em ofensiva no Líbano enquanto Israel lança novos ataques ao Hezbollah

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou categoricamente nesta sexta-feira, 10 de abril de 2026, que "não há cessar-fogo no Líbano" e que as forças israelenses manterão os ataques ao grupo armado Hezbollah "com toda a força". A afirmação ocorre após uma nova rodada de bombardeios intensos que resultaram na morte de mais de 300 pessoas nas últimas 24 horas, levantando sérias preocupações humanitárias e diplomáticas na região.

Postura militar firme e declarações contraditórias sobre trégua

O chefe das Forças Armadas israelenses, Eyal Zamir, ecoou as palavras de Netanyahu durante uma visita à região de Bint Jbeil, no sul do Líbano, afirmando que as Forças de Defesa de Israel (IDF) estão em estado de guerra e que os combates continuam sendo a prioridade naquele setor. "No Irã, há um cessar-fogo, e podemos retomar os combates a qualquer momento, de forma muito intensa", declarou Zamir, referindo-se aos recentes ataques contra alvos do Hezbollah.

Esta postura entra em conflito direto com declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou ter pedido a Netanyahu uma atuação mais "discreta" no território libanês. O governo americano anunciou que Israel e Líbano realizarão conversas em Washington na próxima semana, mesmo dia em que o premiê israelense ordenou que seu gabinete buscasse diálogo direto com Beirute sobre o desarmamento do Hezbollah.

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Cenário humanitário crítico e reações internacionais

Os bombardeios israelenses, embora direcionados a alvos do Hezbollah, utilizaram munições pesadas em áreas densamente povoadas, provocando indignação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e de outras organizações humanitárias. O governo libanês havia declarado anteriormente que seria necessária uma pausa nos combates antes do início de qualquer negociação, condição que não foi atendida.

A situação no Líbano ameaça frustrar as esperanças de um fim negociado para o conflito com o Irã, que começou com o ataque conjunto de Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que as negociações são "inúteis" enquanto Israel continuar os bombardeios, colocando em dúvida as conversas entre Washington e Teerã marcadas para Islamabad no sábado, 11 de abril.

Discrepâncias diplomáticas e mediação paquistanesa

Netanyahu insistiu que o Líbano não está incluído no cessar-fogo e prometeu que as forças israelenses continuariam a atacar alvos do Hezbollah "onde quer que fosse necessário". O primeiro-ministro israelense também afirmou que o secretário do líder do Hezbollah, Naim Qassem, foi morto durante os ataques.

Trump apoiou a versão de Netanyahu, declarando à emissora pública americana PBS que o Líbano "não estava incluído no acordo" devido ao papel do Hezbollah, referindo-se ao conflito como uma "escaramuça à parte" da guerra com o Irã. Já o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, sugeriu que houve um "mal-entendido legítimo" sobre o alcance geográfico do acordo de cessar-fogo.

O Paquistão, que intensificou seus esforços de mediação após ameaças de Trump, afirmou categoricamente que o Líbano fazia parte do acordo de trégua. Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, a única razão pela qual as forças iranianas não responderam à escalada israelense foi a intervenção paquistanesa pedindo moderação.

O Irã reagiu aos ataques contra o Líbano fechando novamente o Estreito de Ormuz, aumentando a tensão em uma região já profundamente instável. A situação continua volátil, com perspectivas de paz no Oriente Médio cada vez mais distantes diante das ações militares em curso e das divergências diplomáticas entre os principais atores envolvidos.

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