Congelamento de alvarás em SP causa prejuízo bilionário e afeta 733 mil empregos
Congelamento de alvarás em SP causa prejuízo bilionário

Decisão judicial paralisa setor imobiliário e gera crise econômica em São Paulo

A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) divulgou um estudo alarmante sobre os impactos do congelamento de novas emissões de alvarás de construção em São Paulo. Segundo a entidade, a medida judicial deve resultar em perdas acumuladas de R$ 83,6 bilhões para a economia da capital paulista até o final de 2026, com efeitos devastadores no mercado de trabalho e no déficit habitacional.

Suspensão judicial e seus efeitos imediatos

A paralisação das emissões foi determinada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) em 24 de fevereiro deste ano, em resposta a questionamentos sobre a legalidade da revisão da Lei de Zoneamento de 2024. O Ministério Público alegou falta de participação popular e planejamento técnico adequado na reformulação da legislação urbana.

Na prática, a decisão liminar suspendeu não apenas novos alvarás, mas também autorizações relacionadas a demolições, supressão vegetal e construção de empreendimentos residenciais. Isso tem causado um represamento significativo de processos administrativos, reprogramação forçada de cronogramas e adiamento de lançamentos imobiliários.

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Impactos mensais e no mercado habitacional

De acordo com a Abrainc, para cada mês que a determinação permanece em vigor, cerca de R$ 8 bilhões em lançamentos imobiliários deixam de ocorrer. Esse volume financeiro está diretamente associado a aproximadamente 138 mil unidades habitacionais que podem deixar de ser produzidas, agravando ainda mais o já crítico déficit habitacional da cidade, estimado em cerca de 600 mil moradias.

"Parte relevante desses empreendimentos depende diretamente da emissão das autorizações atualmente suspensas", alerta a associação, destacando que o fluxo de lançamentos previstos para todo o ano de 2026 está seriamente comprometido.

Consequências no emprego e na cadeia produtiva

Os efeitos negativos se estendem para o mercado de trabalho, com estimativas de que até 733 mil postos de trabalho possam ser afetados até o final de 2026. Além dos empregos diretos na construção civil, há impactos indiretos consideráveis sobre toda a cadeia produtiva do setor, incluindo fornecedores de materiais, serviços especializados e comércio relacionado.

Defesa da segurança jurídica e participação popular

A Abrainc rebate as alegações do Ministério Público, afirmando que o processo de revisão da legislação urbana contou com audiências públicas e mecanismos de participação previstos no ordenamento jurídico. A entidade defende veementemente a importância da segurança jurídica e da previsibilidade regulatória para garantir estabilidade ao ambiente de investimentos e ao desenvolvimento urbano sustentável da cidade.

Na visão de Luiz França, presidente da Abrainc, a legislação vigente foi construída a partir de amplo diálogo técnico e institucional: "A lei está em vigor desde 2024, e cidadãos e empresas precisam de previsibilidade regulatória e segurança jurídica para planejar e desenvolver suas atividades na cidade".

França enfatiza que o objetivo da revisão legal era contribuir para a modernização urbana e para um crescimento mais organizado de São Paulo, especialmente em áreas com infraestrutura já instalada. A associação alerta que a incerteza jurídica criada pela suspensão judicial pode ter efeitos duradouros na atração de investimentos e no desenvolvimento econômico da maior metrópole do país.

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