Um incidente violento abalou a cidade de Bnei Brak, na região metropolitana de Tel Aviv, neste domingo 15, quando duas militares do Exército de Israel foram atacadas e perseguidas por um grupo de judeus ultraortodoxos. A confusão resultou em pelo menos 23 pessoas detidas e três policiais feridos, segundo informações das autoridades locais.
Detalhes do ataque e confusão com convocações militares
De acordo com a emissora israelense Kan, as militares estavam realizando uma visita à residência de outro soldado quando foram alvo do ataque. Relatos indicam que elas teriam sido confundidas com funcionárias encarregadas de entregar notificações de convocação militar, o que desencadeou a reação hostil dos manifestantes.
Resposta policial e ferimentos
A polícia israelense interveio no local, utilizando granadas de efeito moral para dispersar a multidão. Durante a operação, três agentes policiais ficaram feridos e várias viaturas foram danificadas. As militares foram resgatadas com segurança, mas o episódio levantou preocupações sobre a segurança das forças armadas em áreas com tensões comunitárias.
Condenação de Netanyahu e contexto da comunidade haredim
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, classificou o episódio como "inaceitável" em uma publicação na rede social X. Ele afirmou que o ato foi praticado por uma minoria extremista que não representa toda a comunidade haredim, composta por judeus ultraortodoxos. "Não toleraremos nenhum ataque aos militares e às forças de segurança da IDF, que desempenham suas funções com dedicação e determinação", acrescentou Netanyahu.
Isenção militar e protestos recentes
Em Israel, o serviço militar é obrigatório tanto para homens quanto para mulheres. No entanto, os judeus ultraortodoxos, também chamados de haredim, podem evitar uma convocação caso façam parte de escolas talmúdicas onde se dedicam ao estudo dos textos sagrados. Esta isenção foi criada em 1948 por David Ben Gurion, fundador do Estado de Israel.
A comunidade ultraortodoxa mais do que dobrou nas últimas sete décadas e agora representa 14% da população de Israel. No fim do ano passado, milhares de pessoas participaram de um dos maiores atos contra o alistamento da comunidade em anos, refletindo as tensões contínuas sobre o tema.
Contexto regional e incidentes em Gaza
Enquanto isso, em Gaza, as autoridades de saúde do enclave informaram que ao menos 11 palestinos foram mortos pelas forças israelenses nas últimas 24 horas. O Exército israelense afirmou ter realizado bombardeios em resposta a supostas violações do cessar-fogo próximas à chamada Linha Amarela, que separa áreas sob controle israelense do restante do território.
Este ataque em Bnei Brak destaca as complexas dinâmicas sociais e políticas em Israel, onde questões de serviço militar e identidade religiosa continuam a gerar conflitos e debates acalorados.