Médico palestino em Valinhos vive angústia familiar com escalada bélica no Oriente Médio
A escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã não impacta apenas turistas brasileiros no Oriente Médio, mas também famílias com laços diretos na região. É o caso do médico Abdel Latif, residente em Valinhos e integrante da Sociedade Islâmica de Campinas, que vivencia a guerra através dos relatos de seus parentes na Cisjordânia.
Família na linha de fogo dos mísseis
Os familiares de Abdel residem numa aldeia próxima a Belém, na fronteira entre Cisjordânia e Israel, território palestino que voltou a ser palco de tensões após os ataques iniciados no último sábado (28). O médico acompanha a situação à distância, mas com uma preocupação diária e visceral.
"Minha família mora numa aldeia perto da cidade de Belém. Fica na fronteira entre Cisjordânia e Israel. Irã está atacando o país que atacou primeiramente. Então, está atacando Israel. Os mísseis que chegam a Israel passam em cima da casa da minha família", descreve Abdel, com voz carregada de apreensão.
Conflito é parte da rotina há décadas
Enquanto líderes mundiais debatem cessar-fogo e estratégias militares, Abdel mantém contato constante com os familiares na Cisjordânia. Para ele, a guerra não é um evento isolado, mas uma realidade persistente na vida dos palestinos.
"A guerra contra Irã, a gente vive diariamente há 70 anos. A nossa preocupação continua", lamenta o médico, destacando que a violência faz parte do cotidiano da região há gerações.
Contexto da escalada militar
O conflito se intensificou significativamente no último sábado (28), após ofensivas conduzidas por Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos. O governo americano justifica as ações como necessárias para enfraquecer o programa nuclear do Irã, acusado de enriquecer urânio para possível produção de armas – alegação que Teerã nega veementemente.
Em resposta, o Irã lançou mísseis contra Israel e áreas estratégicas com presença militar americana. Autoridades iranianas já falam em mais de 550 mortos desde o início dos ataques. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou em coletiva que a guerra pode durar de quatro a cinco semanas, aumentando a incerteza sobre o desfecho do conflito.
Impacto além das fronteiras
A situação ilustra como conflitos internacionais podem ter repercussões profundas e pessoais mesmo para quem está geograficamente distante. A história de Abdel Latif ressoa com muitos imigrantes e descendentes no Brasil que mantêm laços familiares em regiões de conflito, transformando notícias internacionais em dramas domésticos.
A comunidade islâmica de Campinas e região tem acompanhado com atenção os desdobramentos, enquanto brasileiros no Oriente Médio, como em Dubai, também relatam pânico e cancelamentos devido aos ataques.



