Líbano proíbe atividades militares do Hezbollah após escalada de ataques com Israel
Líbano proíbe atividades militares do Hezbollah após ataques

Governo libanês decreta proibição de operações militares do Hezbollah

O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, anunciou nesta segunda-feira, 2 de março de 2026, uma medida drástica para conter a escalada de violência na região. Em um comunicado oficial, o premiê declarou que todas as atividades militares do Hezbollah são consideradas ilegais e ordenou às forças de segurança que impeçam quaisquer ataques originários do território libanês.

"Declaramos nosso compromisso com o fim das hostilidades e a retomada das negociações", afirmou Salam, em um esforço para acalmar as tensões que ressurgiram com força nas últimas horas.

Contexto imediato da decisão

A proibição foi anunciada poucas horas depois de Israel lançar uma série de ataques aéreos no sul de Beirute, capital do Líbano. Essa ação israelense foi uma resposta direta a uma ofensiva do Hezbollah, que no domingo anterior havia disparado drones e foguetes contra o norte de Israel.

O grupo armado xiita, aliado do Irã, justificou seu ataque como uma retaliação ao assassinato do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, ocorrido em um ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel no sábado. Em comunicado, o Hezbollah afirmou agir "em defesa do Líbano e seu povo" e "em resposta às repetidas agressões israelenses".

Reação israelense e violação de cessar-fogo

O Exército de Israel reagiu com contundência aos eventos. Nesta segunda-feira, as forças israelenses anunciaram ataques simultâneos no Irã e no Líbano, advertindo que o Hezbollah pagará "caro" por abrir fogo contra o país. Além disso, foi realizado um "bombardeio seletivo" contra um comandante do grupo em Beirute.

O porta-voz militar israelense, general Effie Defrin, declarou em pronunciamento transmitido ao vivo: "Neste momento, centenas de aviões da Força Aérea estão bombardeando simultaneamente o Líbano e o Irã". Essa movimentação marca o primeiro ataque reivindicado pelo Hezbollah desde a assinatura de um acordo de cessar-fogo em novembro de 2024, que havia encerrado mais de um ano de guerra entre as partes.

Consequências humanitárias e regionais

Os confrontos já resultaram em um saldo trágico de vidas perdidas. De acordo com a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano, pelo menos 555 pessoas foram mortas no Irã devido à campanha conjunta EUA-Israel. No lado israelense, nove pessoas morreram em retaliação, enquanto em países do Golfo que abrigam bases militares americanas, foram registradas cinco mortes: uma no Kuwait, três nos Emirados Árabes Unidos e uma no Bahrein.

Em resposta ao ataque que matou Khamenei, o Irã iniciou uma campanha de bombardeios sem precedentes a bases americanas no Oriente Médio, ampliando ainda mais o conflito. A situação coloca o Líbano em uma posição delicada, tentando equilibrar a soberania nacional com as pressões de grupos armados e potências regionais.

A proibição das atividades militares do Hezbollah pelo governo libanês representa uma tentativa de retomar o controle sobre seu território e evitar uma guerra aberta, mas a efetividade da medida dependerá da cooperação de todas as partes envolvidas e da capacidade de diálogo em meio a um cenário de extrema tensão.