Aiatolá Ali Khamenei: 35 anos de poder no Irã sob ataque dos EUA
Khamenei: 35 anos de poder no Irã sob ataque dos EUA

Aiatolá Ali Khamenei: 35 anos de poder absoluto no Irã sob nova ofensiva americana

Em meio a uma escalada de tensões internacionais, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, enfrenta uma nova ofensiva dos Estados Unidos enquanto completa 35 anos no poder. O presidente americano Donald Trump confirmou ataques contra o Irã no sábado (28), afirmando que o objetivo é "defender o povo americano" de ameaças do governo iraniano.

O homem que comanda o Irã há mais de três décadas

Khamenei acumula as posições de líder religioso e político, sendo tanto chefe de Estado como comandante-chefe com palavra final sobre todas as políticas públicas do país. Sua trajetória de poder começou em 1989, quando assumiu o cargo após a morte do aiatolá Ruhollah Khomeini, mentor da Revolução Iraniana.

Para assumir a liderança suprema, foi necessária uma manobra constitucional: na época, Khamenei não tinha o grau de marja exigido pela Constituição, sendo nomeado temporariamente até que a Assembleia dos Peritos alterasse a carta magna para confirmá-lo no cargo. Um vídeo vazado em 2018 revelou sua insegurança inicial durante a reunião secreta que decidiu sua ascensão.

Da formação revolucionária ao poder absoluto

Nascido em 1939 em Mashhad, Khamenei teve sua formação religiosa e política na década de 1960, envolvendo-se nos movimentos contra o xá Mohammad Reza Pahlevi. Estudando em Qom, foi profundamente influenciado pelo pensamento de Khomeini, então no exílio.

Sua trajetória inclui:

  • Participação ativa nos protestos de 1978 que antecederam a Revolução Iraniana
  • Atentado a bomba em 1981 que deixou seu braço direito paralisado permanentemente
  • Eleição como presidente em 1981 com 95% dos votos (após apenas quatro candidatos serem autorizados a concorrer)
  • Primeiro clérigo a assumir a presidência, consolidando o domínio religioso sobre o Estado

Consolidação do poder e repressão sistemática

Uma vez no cargo supremo, Khamenei agiu rapidamente para assegurar seu controle, construindo estruturas paralelas dentro do Estado que lhe permitiam neutralizar oponentes. A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) tornou-se uma força paralela aos militares tradicionais, aumentando sua influência sobre políticas nacionais.

Segundo investigação da Reuters em 2018, Khamenei controlaria um império financeiro de aproximadamente 95 bilhões de dólares, baseado no confisco de propriedades de cidadãos iranianos. Seu gabinete classificou a apuração como incorreta na época.

Nas mais de três décadas no poder, enfrentou diversas ondas de protestos:

  1. Repressão violenta a manifestações oposicionistas
  2. Acusações de assassinato de opositores exilados
  3. Perseguição a jornalistas e intelectuais não alinhados
  4. Protestos massivos em 2022 após a morte de Mahsa Amini, com estimativas de mais de 500 mortos

Política externa e o Eixo da Resistência em crise

Uma das estratégias centrais de Khamenei tem sido apoiar organizações que atuam como intermediárias do Irã para confrontar Israel, defendendo publicamente a aniquilação do Estado israelense. O chamado Eixo da Resistência inclui:

  • Hezbollah no Líbano
  • Hamas na Faixa de Gaza
  • Houthis no Iêmen

Recentemente, essas organizações sofreram revezes significativos:

O Hamas foi enfraquecido após a guerra na Faixa de Gaza deflagrada em outubro de 2023. Em setembro de 2024, Israel matou o líder do Hezbollah Hassan Nasrallah, aliado de décadas de Khamenei, através de uma sofisticada operação com pagers explosivos. Os houthis também enfrentaram ataques das Forças Armadas dos EUA, enquanto o ditador sírio Bashar al-Assad, outro aliado regional, foi derrubado em dezembro de 2024.

O líder que atravessou crises e agora enfrenta Trump

Khamenei demonstrou capacidade de atravessar diversas crises com vizinhos regionais e potências ocidentais, tornando-se o mais longevo chefe de Estado do Oriente Médio. Em outubro de 2024, quebrou um jejum de cinco anos sem aparições públicas para proferir um sermão após a morte de Nasrallah.

Sua máquina pública foi estruturada para assegurar controle absoluto, fomentando o culto à sua personalidade enquanto mantém uma política de linha dura em relação a costumes e oposição. Agora, com 86 anos e 35 no poder, enfrenta uma nova fase de confronto direto com os Estados Unidos, enquanto seu Eixo da Resistência sofre reveses significativos em toda a região.