Israel declara eliminação de alto dirigente de segurança iraniano em ataques noturnos
O governo israelense anunciou nesta terça-feira que eliminou Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, durante bombardeios realizados na noite de segunda-feira (16) contra a capital Teerã. A informação foi divulgada pelo ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, através de uma mensagem em vídeo, mas ainda não foi confirmada oficialmente pelas autoridades iranianas.
Figura central do regime iraniano
Ali Larijani era considerado uma das personalidades mais influentes e poderosas do sistema político iraniano. Nomeado para chefiar o Conselho Supremo de Segurança Nacional em 2025 pelo presidente Masoud Pezeshkian, ele coordenava estratégias de defesa e a política nuclear do país, sendo visto como o principal negociador em assuntos internacionais sensíveis.
Sua trajetória pública começou nos anos 1980, quando ingressou na Guarda Revolucionária Islâmica, força militar central do regime. Ao longo de décadas, acumulou funções importantes:
- Ministro da Cultura
- Diretor da emissora estatal IRIB
- Presidente do Parlamento iraniano entre 2008 e 2020
- Negociador nuclear até 2007
Recentemente, Larijani ganhou ainda mais protagonismo após a morte do líder supremo Ali Khamenei, ocorrida durante os primeiros dias dos ataques conjuntos entre Estados Unidos e Israel. Ele era visto como uma figura moderada dentro do regime, apesar de seu histórico de repúdio público aos EUA e a Israel durante o conflito em curso.
Detalhes do ataque e reações
Segundo o jornal israelense Times of Israel, Larijani teria sido alvo específico dos bombardeios israelenses contra Teerã. O ministro Katz afirmou em sua mensagem: "O comandante do Estado-Maior acaba de me informar que Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, e Gholamreza Soleimani, chefe dos Basij, o principal aparelho repressivo do Irã, foram eliminados durante a noite".
Katz acrescentou que Israel continuará "caçando" a liderança do regime iraniano. Por outro lado, o Irã não se pronunciou publicamente sobre o bombardeio até o momento desta reportagem, nem confirmou a morte de Larijani.
Curiosamente, agências estatais iranianas compartilharam por volta das 6h30 (horário de Brasília) uma mensagem manuscrita atribuída a Larijani que não menciona o ataque. O texto, datado desta terça-feira, homenageia soldados da Marinha iraniana mortos na guerra, mas não há certeza sobre quando foi escrito.
Contexto do conflito e declarações militares
O tenente-general Eyal Zamir, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelenses, falou em "conquistas significativas" nos bombardeios noturnos, com potencial para influenciar o rumo da guerra contra o Irã. Em comunicado oficial, ele afirmou: "As Forças de Defesa de Israel continuam a agir com determinação contra múltiplos alvos no Irã. Conquistas preventivas significativas foram registradas durante a noite, com potencial para influenciar os resultados operacionais".
Israel tem realizado bombardeios diários ao território iraniano desde o início do conflito, com foco especial em Teerã. O Exército israelense afirmou ter conduzido ataques aéreos "em larga escala" contra a capital iraniana pouco antes das 23h de segunda-feira, no horário de Brasília.
Perfil político e influência recente
Nos últimos anos, Larijani passou a ser visto como um conservador pragmático, com abertura para negociações internacionais. Seu nome vinha sendo citado como possível interlocutor em diálogos com o Ocidente, especialmente em questões relacionadas ao programa nuclear iraniano.
À frente do Conselho de Segurança, ele supervisionava temas sensíveis como:
- Política nuclear e estratégias de defesa
- Resposta a ataques externos
- Coordenação de operações militares
Larijani acumulou ainda mais poder recentemente em meio à guerra que o Irã trava com Estados Unidos e Israel nas últimas semanas, e após o assassinato de diversas autoridades iranianas de alto escalão em 28 de fevereiro.
Na mensagem compartilhada durante a madrugada desta terça-feira, Larijani afirmou que a vitória sobre os EUA na guerra estaria próxima e criticou o presidente norte-americano Donald Trump por acusar o Irã de utilizar inteligência artificial para gerar mídias de protestos pró-governo.



