Ministro israelense defende migração forçada de palestinos e anulação de Acordos de Oslo
Israel defende migração de palestinos e fim de Acordos de Oslo

Ministro israelense defende migração forçada de palestinos e anulação de Acordos de Oslo

O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, figura ultradireitista do partido Sionismo Religioso, declarou publicamente seu apoio a políticas que visam estimular a migração dos palestinos residentes na Cisjordânia ocupada e na Faixa de Gaza. As declarações foram feitas durante um evento partidário na noite de terça-feira (17), onde Smotrich afirmou categoricamente: "Eliminaremos a ideia de um Estado árabe terrorista".

Anulação dos Acordos de Oslo e expansão da soberania

Em seu discurso, o ministro, que reside em uma colônia na Cisjordânia, utilizou termos historicamente empregados por Israel para se referir à região, chamando-a de Judeia e Samaria. Ele defendeu a anulação formal e prática dos Acordos de Oslo, tratados que desde a década de 1990 regulam as relações entre israelenses e palestinos. "Anularemos formalmente e em termos práticos os malditos Acordos de Oslo e empreenderemos o caminho rumo à soberania, enquanto incentivamos a emigração tanto de Gaza quanto de Judeia e Samaria", declarou Smotrich, acrescentando que "não há outra solução de longo prazo".

Plano de controle de terras e reações internacionais

Esta posição surge no contexto de um plano governamental aprovado na semana passada, que facilita o controle israelense sobre terras administradas pela Autoridade Palestina. As medidas incluem:

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram
  • Registro de terras na Cisjordânia como "propriedade estatal".
  • Facilitação da compra direta de terrenos por israelenses judeus.

O plano tem gerado uma onda de indignação internacional. Na terça-feira, missões de 85 países na Organização das Nações Unidas (ONU) emitiram um comunicado conjunto condenando as ações israelenses. O texto afirma: "Condenamos veementemente as decisões e medidas unilaterais de Israel destinadas a expandir sua presença ilegal na Cisjordânia. Estas decisões contrariam as obrigações de Israel com base no direito internacional e devem ser revertidas imediatamente. Destacamos nossa firme oposição a qualquer forma de anexação".

Posicionamento da ONU e contexto geopolítico

O secretário-geral da ONU, António Guterres, já havia se manifestado na segunda-feira (16), pedindo a Israel que reverta sua política de registro de terras, classificando-a como desestabilizadora e ilegal. A Cisjordânia é considerada pela comunidade internacional como parte fundamental de um futuro Estado palestino, mas setores da direita religiosa israelense, incluindo membros do governo atual, a veem como terra israelense.

O governo israelense tem acelerado a expansão de assentamentos, com a aprovação recorde de 52 novas colônias em 2025. Atualmente, excluindo Jerusalém Oriental, mais de 500.000 israelenses vivem em assentamentos na Cisjordânia, considerados ilegais pelo direito internacional. Esta política, combinada com as recentes declarações de Smotrich, intensifica as tensões em uma região já marcada por décadas de conflito.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar