Israel ameaça ataques 'mais dolorosos' ao Irã se proposta dos EUA for rejeitada
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, fez uma declaração contundente nesta quarta-feira, alertando que, caso o Irã rejeite uma proposta dos Estados Unidos para o fim da guerra, haverá ataques "ainda mais dolorosos" contra Teerã e seus aliados na região. Katz advertiu a República Islâmica para que aceite os termos propostos pelos americanos, que incluem, entre outros pontos, a renúncia ao armamento nuclear.
Encruzilhada histórica para o Irã
Em suas palavras, o ministro israelense afirmou que "o Irã está em uma encruzilhada histórica" e deverá se decidir rapidamente. "Um caminho consiste em renunciar ao terrorismo e ao armamento nuclear, em conformidade com a proposta americana; o outro conduz a um abismo", completou Katz, deixando claro que as consequências de uma recusa seriam severas.
O Irã, por sua vez, resiste às pressões e afirma ter o direito soberano de enriquecer urânio, material essencial para a produção de armas nucleares. Nesta quarta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, ponderou que o direito de Teerã de enriquecer urânio é "indiscutível", mas que o nível deste enriquecimento é "negociável".
Exigências para o fim da guerra
O fim das atividades nucleares do Irã é uma das principais exigências feitas pelos Estados Unidos e por Israel para encerrar a guerra contra Teerã. Ambos os países argumentam que a República Islâmica não pode produzir armas nucleares, pois representam um perigo significativo aos seus territórios e à estabilidade regional.
Em junho do ano passado, EUA e Israel já haviam realizado ataques contra instalações nucleares iranianas, e em fevereiro deste ano, os ânimos se acirraram, dando início à atual guerra no Oriente Médio. O conflito se estendeu para o Líbano, atingiu países do Golfo Pérsico e afetou a economia global, criando um cenário de incertezas e tensões.
Mediação do Paquistão e cessar-fogo frágil
Em meio a essa situação, o Paquistão tenta mediar um acordo definitivo de cessar-fogo que beneficie ambos os lados da guerra. Até o momento, porém, as negociações não surtiram o efeito esperado. Na terça-feira passada, o ex-presidente americano Donald Trump anunciou um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, suspendendo os ataques por esse período.
A trégua começou imediatamente, mas é considerada frágil, e os EUA não devem prorrogar o acordo. A declaração de cessar-fogo ocorreu após um pedido do primeiro-ministro do Paquistão, que intermediava as conversas, solicitando uma pausa de duas semanas na guerra no Oriente Médio. O Irã também aceitou a proposta apresentada pelo Paquistão.
Violações e negociações paralelas
No dia seguinte ao anúncio do cessar-fogo, o Irã acusou Israel de violar o acordo por seguir bombardeando o Líbano. Tanto o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, quanto Donald Trump informaram que o Líbano não estava incluso na trégua devido à presença do Hezbollah, grupo considerado aliado do Irã.
O Líbano tem sido alvo de ataques desde 2 de março, mas, no meio da semana, Israel sinalizou que negociaria separadamente a paz com o país. Em comunicado, o gabinete de Benjamin Netanyahu informou que as negociações diretas devem acontecer "o mais rápido possível". O primeiro-ministro de Israel e o presidente do Líbão devem conversar por telefone hoje, e um encontro entre as duas lideranças está sendo articulado para ocorrer em Washington D.C.
Enquanto isso, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã divulgou um comunicado afirmando que o plano com dez pontos do país persa "enfatiza questões fundamentais", como a "passagem regulamentada pelo Estreito de Hormuz sob a coordenação das Forças Armadas do Irã". Isso demonstra a complexidade das negociações e os múltiplos interesses em jogo.



