Ex-deputado é preso por suspeita de facilitar fuga em massa em presídio da Bahia
Ex-deputado preso por suspeita de facilitar fuga em presídio

Ex-deputado federal é preso preventivamente por suspeita de envolvimento em fuga em massa na Bahia

O ex-deputado federal Uldurico Junior, filiado ao MDB, foi preso preventivamente na manhã desta quinta-feira, 16 de maio, sob a acusação de ter facilitado uma fuga em massa no Conjunto Penal de Eunápolis, localizado no extremo sul do estado da Bahia. A detenção ocorreu na Praia do Forte, um balneário no litoral norte baiano, como parte da Operação Duas Rosas, deflagrada pelo Ministério Público estadual.

Investigações revelam negociação com facção criminosa

As investigações conduzidas pelas autoridades apontam que Uldurico Junior teria negociado diretamente com uma facção criminosa para viabilizar a fuga do traficante Ednaldo Pereira de Souza, conhecido como Dada. Este indivíduo é reconhecido como líder do Primeiro Comando de Eunápolis, uma organização local que mantém vínculos com o Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do país.

O elo crucial entre o ex-parlamentar e o traficante seria a então diretora do presídio, Joneuma Silva Neres, que teria sido indicada para o cargo por Uldurico. De acordo com as apurações, ambos se reuniram em múltiplas ocasiões dentro da sala da diretora, onde supostamente discutiram os detalhes do plano de fuga.

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Promessa de pagamento e valores envolvidos

Em troca de facilitar a libertação de Dada, Uldurico Junior teria recebido a promessa de um pagamento de R$ 2 milhões por parte do grupo criminoso. Contudo, as investigações revelaram que apenas R$ 300 mil teriam sido efetivamente transferidos para o ex-deputado, indicando uma possível falha na transação financeira ou um acordo parcialmente cumprido.

Contexto da fuga e desdobramentos posteriores

A fuga em massa ocorreu em dezembro de 2024, quando um grupo de homens fortemente armados invadiu o Conjunto Penal de Eunápolis, permitindo a evasão de 16 presos, incluindo o traficante Dada. Atualmente, as autoridades acreditam que ele esteja refugiado no Rio de Janeiro, de onde continuaria a comandar atividades criminosas na região de Eunápolis.

Imediatamente após o episódio, o Governo da Bahia instaurou uma sindicância interna e afastou a diretora Joneuma Silva Neres de suas funções. Em janeiro de 2025, ela foi presa sob a suspeita de ter colaborado ativamente com os criminosos, facilitando a invasão e a subsequente fuga.

Mandados judiciais e alcance da operação

O mandado de prisão preventiva contra Uldurico Junior foi expedido pela 1ª Vara Criminal de Eunápolis, com base em evidências coletadas durante as investigações. Paralelamente, a Operação Duas Rosas cumpriu mandados de busca e apreensão em diversas cidades baianas, incluindo Salvador, Camaçari, Teixeira de Freitas, Eunápolis e Porto Seguro. Os alvos incluíram um ex-vereador de Eunápolis e um advogado, sugerindo uma rede mais ampla de envolvimento.

O Ministério Público enfatiza que a fuga não foi um evento isolado, mas sim parte de uma articulação criminosa estruturada, que envolvia integrantes da organização criminosa e o ex-deputado federal, que teria se valido de sua influência política e institucional para concretizar o plano.

Significado do nome "Duas Rosas"

O nome da operação, Duas Rosas, faz referência a um termo utilizado pelo grupo criminoso para designar propina. De acordo com a Promotoria de Justiça, a expressão "rosa" era empregada de forma codificada em diálogos para se referir a dinheiro, aparecendo em frases como "quando as rosas vão chorar" ou "choram as rosas", indicando transações financeiras ilícitas.

Trajetória política de Uldurico Junior

Uldurico Junior possui uma trajetória política marcante. Ele foi eleito deputado federal em 2014, tornando-se na época o parlamentar mais jovem do Brasil, com apenas 22 anos, pelo extinto PTC. Conseguiu a reeleição no pleito seguinte, mas não obteve sucesso na renovação do mandato em 2022. Há dois anos, candidatou-se a prefeito de Teixeira de Freitas, cidade do extremo sul baiano, com o apoio do governador Jerônimo Rodrigues, do PT, porém não logrou se eleger.

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A defesa do ex-deputado foi contatada pela reportagem por telefone e mensagens, mas não respondeu até o início da tarde desta quinta-feira, deixando as acusações sem contestação formal no momento.