Irã impõe restrições no Estreito de Ormuz, mas garante passagem ao Japão com coordenação
Irã restringe Ormuz, mas garante passagem ao Japão com coordenação

Irã estabelece restrições no Estreito de Ormuz, mas assegura passagem ao Japão mediante coordenação

O diplomata iraniano Abbas Araqchi declarou, em entrevista por telefone à agência japonesa Kyodo na sexta-feira, que o Irã não fechou a rota estratégica do Estreito de Ormuz, mas impôs restrições específicas a navios de países envolvidos em ataques contra a República Islâmica. Segundo ele, o país está preparado para garantir passagem segura a nações como o Japão, que depende em 90% do petróleo proveniente do Oriente Médio, desde que haja coordenação direta com as autoridades de Teerã.

Diálogos bilaterais e contexto geopolítico

A entrevista, também compartilhada por Araqchi em seu canal oficial na plataforma de mensagens Telegram, abordou a questão da navegação de navios japoneses pelo Estreito de Ormuz, tema discutido em conversas recentes entre o diplomata iraniano e o ministro japonês Toshimitsu Motegi. Araqchi ressaltou à Kyodo que as discussões continuam em andamento, mas os detalhes não podem ser divulgados publicamente por questões de segurança e diplomacia.

O momento da entrevista coincide com o último dia da visita da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi aos Estados Unidos, onde ela se reuniu com o presidente norte-americano Donald Trump na Casa Branca na quinta-feira. O encontro foi fortemente marcado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, no contexto da guerra de Washington e Tel Aviv contra Teerã, destacando as tensões regionais que afetam o comércio global de petróleo.

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Medidas internacionais para conter alta dos preços do petróleo

Em meio a preocupações com o abastecimento devido ao conflito no Oriente Médio, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos autorizou, na sexta-feira, de forma temporária, a compra e venda de petróleo iraniano que está retido no mar. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, antecipou a decisão e estimou que a medida permitirá adicionar cerca de 140 milhões de barris ao mercado global, visando conter a alta dos preços.

Antes dessa autorização, o governo Trump também havia permitido, temporariamente, a compra de petróleo russo em trânsito, refletindo esforços contínuos para estabilizar os preços em um cenário de incertezas geopolíticas. Paralelamente, o governo do Japão iniciou, na segunda-feira, a liberação de reservas estratégicas de petróleo, sua primeira ação desse tipo desde o início da invasão russa da Ucrânia em 2022, demonstrando a urgência global em garantir suprimentos energéticos.

Implicações para a segurança marítima e economia mundial

Trump solicitou, sem sucesso, aos aliados da OTAN e a países asiáticos como Japão, Coreia do Sul e China que enviassem navios militares para garantir o fluxo no Estreito de Ormuz, cuja margem norte é controlada pelo Irã. Essa solicitação sublinha os desafios de segurança na região, onde o controle iraniano sobre a passagem estratégica pode impactar significativamente as rotas comerciais e os preços do petróleo em escala internacional.

As declarações de Araqchi e as ações dos governos envolvidos destacam um cenário complexo de diplomacia, segurança e economia, com o Irã buscando manter influência enquanto oferece garantias condicionais a parceiros como o Japão. A coordenação bilateral emerge como elemento-chave para evitar interrupções no abastecimento de petróleo, essencial para economias dependentes como a japonesa, em um contexto de crescentes tensões no Oriente Médio.

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