Irã reafirma proibição de armas nucleares em meio a tensões com EUA e negociações
Irã reafirma proibição de armas nucleares em meio a tensões

Irã reafirma compromisso com proibição de armas nucleares em meio a negociações tensas com Estados Unidos

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou nesta quinta-feira, 26 de setembro, que o país não irá desenvolver armas nucleares, reforçando uma posição histórica baseada em um decreto religioso do líder supremo Ali Khamenei. As afirmações foram feitas durante uma coletiva de imprensa em Nova York, no mesmo dia em que ocorreu a terceira rodada de negociações nucleares entre Irã e Estados Unidos, marcadas por acusações mútuas e aumento das tensões diplomáticas.

Decreto religioso e posição iraniana

Segundo Pezeshkian, a proibição estabelecida por Khamenei em uma fatwa, ou decreto religioso, no início dos anos 2000, significa claramente que Teerã não desenvolverá armas nucleares. O presidente iraniano enfatizou que o programa nuclear do país tem fins exclusivamente pacíficos, voltados para a produção de energia, e não para a construção de armamentos atômicos. Esta declaração busca contrapor as acusações recorrentes dos Estados Unidos, que insistem em alegar que o Irã persegue ambições nucleares militares.

Acusações e resposta de Trump

Em discurso do Estado da União na terça-feira, 24 de setembro, o presidente norte-americano, Donald Trump, acusou o Irã de almejar armas nucleares e de desenvolver mísseis capazes de atingir os Estados Unidos e a Europa. “Eles já desenvolveram mísseis capazes de ameaçar a Europa e nossas bases no exterior e trabalham para construir mísseis que em breve poderão alcançar os Estados Unidos”, afirmou Trump. Ele também relembrou os ataques americanos contra o Irã em junho de 2025, que destruíram um suposto programa de armas nucleares, e advertiu que, embora prefira a diplomacia, não permitirá que o Irã obtenha uma arma nuclear.

Em resposta, o governo iraniano classificou as acusações como “grandes mentiras” e acusou a administração Trump de conduzir uma campanha de desinformação contra o país. As tensões têm se intensificado à medida que as negociações para um acordo que limite o programa nuclear iraniano avançam, com ambos os lados mantendo posições firmes e divergentes.

Negociações nucleares e contexto atual

A reunião desta quinta-feira em Genebra, Suíça, representa a terceira rodada de negociações em menos de um mês, com o objetivo de fechar um acordo que limite ou encerre o programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos exigem que o Irã interrompa o enriquecimento de urânio, restrinja o alcance de seus mísseis balísticos e cesse o apoio a grupos armados no Oriente Médio. Por outro lado, o Irã defende que as negociações se limitem ao programa nuclear e expressa disposição para reduzir o nível de enriquecimento de urânio em troca do fim das sanções econômicas impostas pelos EUA.

Segundo fontes da imprensa internacional, incluindo o jornal britânico The Guardian, Trump pode decidir sobre um possível ataque ao Irã com base no resultado deste encontro. A última reunião, em 17 de fevereiro, foi descrita por ambas as delegações como tendo apresentado certo progresso, mas as divergências fundamentais permanecem, alimentando a incerteza sobre o futuro das relações bilaterais e a estabilidade regional.