Irã autoriza passagem seletiva no Estreito de Ormuz, mas mantém bloqueio durante guerra
Irã permite passagem seletiva no Estreito de Ormuz durante conflito

Irã concede autorização seletiva para navegação no Estreito de Ormuz durante conflito

O governo do Irã anunciou nesta quinta-feira (12) que autorizou navios de alguns países específicos a cruzarem o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte de petróleo e gás no mundo. A declaração foi feita pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Majid Takht Ravanchi, em entrevista à agência de notícias AFP, enquanto a via permanece efetivamente fechada para a maioria das embarcações durante o conflito em curso com os Estados Unidos e Israel.

Bloqueio mantido como instrumento de pressão estratégica

Ravanchi explicou que o Irã "cooperou" com nações que solicitaram formalmente permissão para utilizar a passagem, mas deixou claro que a república islâmica não pretende estender esse benefício a todos. "Acreditamos que os países que se uniram à agressão não devem se beneficiar da passagem segura pelo Estreito de Ormuz", enfatizou o vice-ministro, em referência direta aos Estados Unidos e a Israel.

O posicionamento foi reforçado por Mojtaba Khamenei, que em sua primeira declaração após ser escolhido como o novo líder supremo do Irã, afirmou que o fechamento do estreito precisa ser mantido porque representa um "instrumento de pressão contra o inimigo". A medida é vista como uma resposta estratégica aos ataques lançados por Israel e Estados Unidos em 28 de fevereiro deste ano, que resultaram na morte do anterior líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e ampliaram o conflito por todo o Oriente Médio.

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Negativas sobre minas e justificativas de legítima defesa

Durante a entrevista, Takht Ravanchi também negou veementemente os relatos de que o Irã teria colocado minas na passagem marítima, descartando alegações que circulam no cenário internacional. "Estamos agindo em legítima defesa. Continuaremos agindo em legítima defesa enquanto for necessário", declarou o vice-ministro, justificando as ações iranianas como reações a agressões prévias.

Ele lembrou que, antes do início da guerra, o Irã havia alertado repetidamente seus vizinhos sobre as consequências de um ataque americano. "Antes do início da guerra, em diversas ocasiões, informamos nossos vizinhos de que, se os Estados Unidos agredissem o Irã, todos os ativos e bases americanas seriam alvos legítimos para o Irã", afirmou Ravanchi, destacando que a república islâmica respondeu atacando interesses israelenses e americanos em toda a região após os combates iniciais.

Contexto histórico e preocupações com futuros conflitos

O vice-ministro fez um retrospecto dos eventos que levaram à escalada atual, mencionando a guerra de 12 dias em junho de 2025, seguida por uma suposta cessação das hostilidades que durou apenas alguns meses. "Quando a guerra começou em junho do ano passado, após 12 dias houve uma suposta cessação das hostilidades... mas depois de oito ou nove meses, eles se reagruparam e fizeram tudo de novo", disse, referindo-se aos Estados Unidos e a Israel.

Essa experiência, segundo Ravanchi, motivou o Irã a buscar garantias de que não será forçado a enfrentar outra guerra no futuro. "Não queremos ser tratados assim novamente no futuro", enfatizou, sinalizando que as medidas no Estreito de Ormuz fazem parte de uma estratégia mais ampla de dissuasão e autoproteção.

A situação no estreito continua a ser monitorada de perto pela comunidade internacional, dada sua importância crítica para o fluxo global de energia e o potencial de impactos econômicos significativos em meio a um conflito que já se espalhou por múltiplos países do Oriente Médio.

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