Irã nomeia linha-dura Mohammad Baqer Zolqadr para suceder Ali Larijani em meio a conflito
Irã nomeia linha-dura para suceder Larijani em conflito

Irã nomeia linha-dura para liderar segurança nacional após morte de Ali Larijani

O governo iraniano anunciou a nomeação de Mohammad Baqer Zolqadr, um ex-comandante da Guarda Revolucionária Islâmica conhecido por suas posições linha-dura, para assumir a chefia do Conselho Supremo de Segurança Nacional. Ele substitui Ali Larijani, figura emblemática da política iraniana, que foi assassinado em bombardeios israelenses na semana passada em Teerã. A decisão foi divulgada pela televisão estatal iraniana nesta terça-feira, 24 de março de 2026, em um momento crítico de escalada do conflito no Oriente Médio.

Perfil do novo chefe de segurança

Zolqadr é um fiel aliado do falecido Larijani e possui um extenso histórico em cargos de segurança no Irã. Além de ter comandado a Guarda Revolucionária, ele serviu como vice-secretário de Segurança do Ministério do Interior, vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e assessor do chefe do Judiciário para prevenção do crime. Desde 2022, atuava como secretário do Conselho de Discernimento do Conveniência do Poder, um órgão que media disputas entre o Parlamento e o Conselho dos Guardiães, composto por clérigos e juristas xiitas com poder de veto eleitoral.

Legado de Ali Larijani

Ali Larijani era uma das figuras mais influentes da República Islâmica, com uma carreira que abrangeu décadas de serviço público. Matemático e filósofo de formação, veterano da guerra Irã-Iraque, ele ocupou posições-chave como ministro da Cultura, diretor da rádio e televisão pública, principal negociador do programa nuclear, presidente do Parlamento e candidato à presidência. Nos últimos anos, liderava o Conselho Supremo de Segurança Nacional, órgão que coordena segurança e política externa, incluindo altos funcionários militares, de inteligência e representantes do líder supremo.

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Contexto de conflito e escalada

A nomeação ocorre em meio a uma intensificação dos ataques israelenses no Irã. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, prometeu continuar os bombardeios tanto no território iraniano quanto no Líbano, onde opera a milícia Hezbollah, apoiada pelo Irã. Netanyahu descreveu a República Islâmica como um "castelo de cartas que desmorona", reduzindo esperanças de uma desescalada rápida, mesmo após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre possíveis acordos de paz.

Segundo a ONG Human Rights Activists News Agency, nas últimas 24 horas, houve pelo menos 206 ataques em 15 províncias do Irã, resultando em pelo menos quatro vítimas entre mortos e feridos. Desde o início da guerra, estima-se que mais de 1.500 iranianos tenham morrido, com alguns relatos de grupos de direitos humanos indicando números superiores a 3 mil. Em Israel, os ataques causaram 16 mortes e 4.829 feridos, com 12 em estado grave.

Implicações estratégicas

O Exército israelense afirmou ter eliminado mais de 70% dos lançadores de mísseis balísticos do Irã e está próximo de estabelecer controle quase total do espaço aéreo iraniano. No entanto, Teerã continua a desafiar as defesas israelenses, com um míssil recente atingindo o centro de Tel Aviv e ferindo seis pessoas levemente. A nomeação de Zolqadr, com sua experiência militar e de segurança, sugere que o Irã pode adotar uma postura ainda mais firme em resposta às agressões, potencialmente prolongando o conflito na região.

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