Irã contradiz Trump e descarta novas negociações com EUA às vésperas de trégua expirar
Tensões aumentam após bloqueio naval americano em Ormuz capturar navio iraniano, colocando em dúvida nova rodada de conversas no Paquistão. O governo iraniano rejeitou firmemente qualquer possibilidade de novos diálogos com os Estados Unidos, em meio a um cenário de crescente hostilidade na região do Oriente Médio.
Recusa iraniana e acusações de violação
Esmail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, afirmou categoricamente nesta segunda-feira, 20 de abril de 2026, que seu país não tem planos para uma nova rodada de negociações com os Estados Unidos. A declaração ocorre às vésperas do fim da trégua acordada em 8 de abril, que expira inicialmente nesta terça-feira, 21.
Baghaei acusou Washington de violar o acordo de cessar-fogo "desde sua implementação", citando ofensivas americanas durante discussões diplomáticas anteriores. Ele insistiu que o Irã continuará defendendo seus interesses nacionais, descrevendo as propostas americanas como "pouco sérias" e suas exigências como "irrealistas".
Incidente naval e ameaças de retaliação
A tensão escalou significativamente após as forças dos Estados Unidos anunciarem a apreensão do navio cargueiro iraniano M/V Touska, que tentou furar o bloqueio naval imposto pela Marinha americana há uma semana no Estreito de Ormuz. Imagens divulgadas pelos militares mostraram fuzileiros navais descendo de rapel até a embarcação.
Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã prometeu retaliar, afirmando estar "preparada para responder decisivamente às forças invasoras americanas" após o que chamou de "agressão flagrante". No entanto, a agência de notícias Tasnim mencionou que as forças iranianas enfrentam "certas limitações" devido à presença de familiares da tripulação a bordo do navio apreendido.
Declarações contraditórias e preparativos
Enquanto o Irã descarta negociações, o presidente americano Donald Trump anunciou no domingo, 19 de abril, que autoridades de seu governo viajariam a Islamabad, no Paquistão, para "negociações". Antes da apreensão do navio, autoridades em Teerã haviam confirmado à CNN que também enviariam uma delegação, mas reportagens da mídia estatal iraniana levantaram dúvidas sobre essa participação.
O Paquistão, atuando como mediador, deu indícios de preparação para possíveis tratativas. Dois aviões de carga C-17 americanos pousaram em uma base aérea paquistanesa transportando equipamentos de segurança, e arame farpado foi instalado perto do Hotel Serena, local das negociações anteriores.
Contexto de ameaças e exigências
Na véspera das declarações iranianas, Trump voltou a ameaçar destruir "todas as usinas nucleares" e "todas as pontes" iranianas caso os aiatolás não aceitassem os termos de paz propostos por Washington. Em entrevista à Fox News, ele defendeu o acordo oferecido, que inclui a reabertura do Estreito de Ormuz e garantias sobre o enriquecimento de urânio, como "muito justo e razoável".
A equipe americana para as negociações incluiria figuras como o vice-presidente J.D. Vance, o enviado especial Steve Witkoff e Jared Kushner, genro de Trump. No entanto, com a firme recusa iraniana e o incidente naval recente, o futuro dessas conversas permanece incerto, aumentando as preocupações sobre uma nova escalada de conflito na região.



