Irã convoca protesto pró-regime após morte de Khamenei em ataque conjunto EUA-Israel
O governo do Irã convocou oficialmente sua população para uma grande manifestação pública pró-regime em homenagem ao líder supremo Ali Khamenei, morto durante uma ofensiva militar conjunta entre Israel e Estados Unidos no final de semana. A convocação foi transmitida pela emissora estatal iraniana nesta segunda-feira, 2 de março de 2026, determinando que os cidadãos se reúnam na capital Teerã para demonstrar apoio incondicional à República Islâmica.
Divisão social entre comemorações e luto profundo
Enquanto o governo organiza cerimônias de luto oficial, parte significativa da população iraniana reagiu com explosões de alegria à notícia da morte de Khamenei. Em diferentes regiões do país, muitos foram às ruas para dançar abertamente, celebrando o fim do líder que governou com mão de ferro por 37 anos. "Estou rindo e feliz pela primeira vez em anos", declarou o barista Amir em entrevista ao jornal americano Los Angeles Times, refletindo o sentimento de alívio de muitos iranianos.
Vídeos obtidos pela emissora CNN mostram cenas reveladoras:
- Duas mulheres cantando "Morte à República Islâmica" em farsi
- Aplausos e assobios ecoando por bairros de Teerã
- Celebrações espontâneas em diversas cidades iranianas
Reações internacionais e luto organizado
Por outro lado, apoiadores fiéis do aiatolá organizaram comícios de luto em todo o país e além das fronteiras:
- Reuniões emocionadas no santuário do Imã Reza em Mashhad
- Cerimônias na Praça Enghelab em Teerã
- Manifestações de homenagem no Iraque, Índia, Rússia e Nigéria
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian classificou a morte de Khamenei como "um grande crime" e decretou oficialmente um período de luto nacional de 40 dias, além de estabelecer sete dias de feriados públicos em homenagem ao falecido líder.
Transição de poder e escalada militar
Com a ausência do líder supremo, um conselho tripartite assumiu temporariamente as funções de liderança no Irã, conforme informações da agência de notícias estatal IRNA. Este conselho é formado por:
- O presidente da República
- O chefe do judiciário
- Um jurista do Conselho dos Guardiões
Paralelamente, Teerã intensificou significativamente seus esforços militares contra bases americanas no Oriente Médio, disparando ataques retaliatórios contra alvos no Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Kuwait. A Guarda Revolucionária Islâmica informou que 27 instalações que abrigam tropas americanas foram visadas, assim como instalações militares israelenses em Tel Aviv.
Balanço trágico do conflito
Os números do conflito revelam sua dimensão trágica:
- 555 iranianos mortos pela campanha conjunta EUA-Israel (segundo a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano)
- 9 israelenses mortos devido às retaliações
- 5 pessoas em países do Golfo (1 no Kuwait, 3 nos Emirados Árabes Unidos e 1 no Bahrein)
- Mais de 40 oficiais de alta patente iranianos mortos no ataque inicial
Ali Khamenei, que acumulava os poderes de líder político e religioso desde 1989, moldou profundamente a política iraniana com uma postura historicamente hostil aos Estados Unidos e repressão sistemática à oposição interna. Sua morte marca um ponto de virada no conflito que já dura três dias entre Irã, Israel e Estados Unidos, com consequências imprevisíveis para a estabilidade regional.
