Irã confirma morte do líder supremo Ali Khamenei em ataque coordenado de EUA e Israel
O Irã confirmou oficialmente neste sábado (28) a morte do seu líder supremo, Ali Khamenei, durante um ataque militar coordenado realizado por Estados Unidos e Israel. A informação foi inicialmente divulgada pela agência estatal iraniana Fars através de seu perfil no Telegram, que anunciou: "O líder supremo da Revolução foi martirizado". O governo iraniano declarou imediatamente 40 dias de luto nacional e 7 dias de feriado geral em todo o país.
Detalhes do ataque e confirmação oficial
O presidente norte-americano, Donald Trump, havia confirmado mais cedo a morte de Khamenei em suas redes sociais, afirmando que o aiatolá não conseguiu escapar dos sistemas de inteligência e rastreamento dos EUA em parceria com Israel. Em publicação, Trump descreveu Khamenei como "uma das pessoas mais malignas da História" e declarou que sua morte representaria "justiça para o povo do Irã e para todos os grandes americanos".
Segundo informações oficiais, Khamenei foi morto em seu local de trabalho na manhã de sábado enquanto cumpria seus deveres no escritório. A agência Fars destacou que o martírio do líder em seu local de trabalho refutaria alegações anteriores sobre ele viver em local seguro e escondido por medo de assassinato.
Escala do conflito e números das vítimas
O ataque coordenado começou pela manhã com explosões registradas na capital Teerã e em diversas outras cidades iranianas, incluindo Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah. As Forças de Defesa de Israel (IDF) divulgaram comunicado listando membros do alto escalão iraniano mortos, embora inicialmente Ali Khamenei não constasse nessa relação.
Entre as vítimas confirmadas estão o ministro da Defesa do Irã, Amir Nasirzadeh, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammed Pakpour. Segundo a imprensa iraniana com base em informações da rede humanitária Crescente Vermelho, os ataques deixaram 201 mortos e 747 feridos em território iraniano.
Casos específicos de grande impacto incluem o bombardeio a uma escola de meninas no sul do Irã, que teria deixado mais de 100 mortos segundo o embaixador iraniano na ONU, e um ataque a um ginásio na mesma região que vitimou outras 15 pessoas.
Retaliação iraniana e resposta regional
Em resposta aos ataques, o Irã lançou mísseis e drones contra território israelense, onde sirenes de alerta foram acionadas. Explosões também foram registradas em outros países da região com presença de bases norte-americanas, incluindo Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Iraque, Jordânia e Emirados Árabes Unidos.
Os Emirados Árabes Unidos informaram ter interceptado vários mísseis iranianos, com uma morte confirmada na capital Abu Dhabi. Em Dubai, destroços de um drone interceptado causaram incêndio na fachada externa do edifício Burj Al Arab. Na Síria, quatro pessoas morreram após um míssil iraniano atingir um prédio.
Na noite de sábado, o Irã lançou nova rodada de mísseis mirando alvos militares e de segurança dos EUA e de Israel, resultando em uma morte e 21 feridos na região de Tel Aviv, além de outro óbito e sete feridos em incidente no Aeroporto Zayed em Abu Dhabi.
Contexto do programa nuclear iraniano
A escalada militar tem como pano de fundo a disputa antiga sobre o programa nuclear iraniano. O presidente Trump afirmou que o objetivo do ataque é destruir o programa nuclear iraniano e proteger o povo americano de ameaças, declarando: "Nós garantiremos que o Irã não terá uma arma nuclear".
Esta é a segunda vez em menos de um ano que os EUA atacam o Irã, após operação em junho de 2025 que bombardeou estruturas nucleares iranianas em apoio a Israel. Na época, o presidente americano afirmou que as instalações haviam sido destruídas, enquanto o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, avaliou que os ataques causaram danos graves, embora "não totais".
Posicionamentos oficiais e reações internacionais
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que o "Irã não deve ter permissão para se armar com armas nucleares" e que a ofensiva "criará as condições para que o povo iraniano tome as rédeas do próprio destino".
O Ministério das Relações Exteriores do Irã emitiu comunicado afirmando que o país é alvo de "agressão militar criminosa" que coloca em risco a paz mundial, pedindo providências à ONU e garantindo que "as Forças Armadas da República Islâmica do Irã responderão aos agressores com firmeza".
Internacionalmente, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou os ataques como "extremamente preocupantes", enquanto o vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev, criticou Trump e questionou a posição de Washington.
Posição do governo brasileiro
O Itamaraty condenou o ataque conjunto de EUA e Israel ao Irã e afirmou que a negociação entre as partes é o "único caminho viável para a paz". Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro "apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção", visando evitar a escalada das hostilidades e assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil.
Panorama geopolítico no Oriente Médio
Os ataques destacam as complexas alianças regionais, com os EUA contando com apoio de Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Bahrein, Kuwait e Egito. O Irã mantém alianças com grupos como os houthis no Iêmen, Hezbollah no Líbano, Hamas, e conta com apoio do Paquistão.
Contexto interno iraniano
O príncipe herdeiro do Irã, Reza Pahlavi, publicou mensagem nas redes sociais afirmando que a "ajuda americana finalmente chegou" e que o "momento de voltar às ruas está próximo". Os protestos no Irã começaram em dezembro diante da insatisfação popular com a situação econômica, agravada pela desvalorização da moeda local e aumento do custo de vida após reimposição de sanções internacionais.
Analistas internacionais alertam que tanto Trump quanto Netanyahu se expõem a riscos políticos significativos ao defenderem mudança de regime no Irã, especialmente considerando a capacidade de retaliação iraniana e o contexto de ano eleitoral em ambos os países.
