PCC: 'Carrasco' é preso por envolvimento no desaparecimento de jovem em Guarujá
A Polícia Civil prendeu um homem suspeito de envolvimento no desaparecimento de Maria Eduarda Cordeiro da Silva, de 20 anos, ocorrido após o réveillon em Guarujá, no litoral de São Paulo. De acordo com as investigações, Adadilton Candido da Silva, de 33 anos, conhecido como DA7, cumpria a função de 'carrasco' do Primeiro Comando da Capital (PCC) e teria participado do julgamento da vítima no chamado 'tribunal do crime'.
Detenção e apreensões
O suspeito foi preso na Avenida Prefeito Raphael Vitiello, também em Guarujá, durante uma operação realizada na terça-feira (14) por policiais civis da 3ª Delegacia de Homicídios, da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Santos. Na ação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão e de prisão temporária, resultando na apreensão de quatro celulares.
Segundo a corporação, o 'carrasco' é responsável por aplicar punições a quem descumpre o estatuto da organização criminosa. Além disso, Adadilton teria auxiliado outros envolvidos na tortura e na execução de Maria Eduarda. Ele deve responder por sequestro, homicídio qualificado, tortura e organização criminosa.
Desaparecimento e confirmação da morte
Maria Eduarda desapareceu no dia 2 de janeiro, mas a Polícia Civil só confirmou a morte dela em 19 de fevereiro, quando quatro pessoas foram presas por participação no crime. A corporação acredita que a vítima tenha sido 'condenada à morte' por suspeita de integrar uma facção rival, o Comando Vermelho (CV).
As investigações continuam para localizar o corpo da jovem. O delegado Thiago Nemi Bonametti afirmou, à época dos primeiros presos, que não pararia até encontrar os restos mortais.
Motivação do crime
O delegado explicou que relatos de testemunhas, análise de telefonia e publicações da jovem nas redes sociais confirmaram a motivação. Maria Eduarda fazia menções ao CV em suas postagens, ostentava armas de fogo e usava símbolos da facção, o que chamou a atenção do crime organizado rival na região.
"Isso [publicações] chamou atenção do próprio crime organizado rival na região. Ela estava morando aqui agora e [...] eles começaram a tentar identificar onde ela estaria, já que fazia várias menções a essa facção criminosa rival", afirmou o delegado.
Contexto e outros envolvidos
Na época do desaparecimento, a mãe de Maria Eduarda, Claudieli Natali Cordeiro, de 34 anos, contou que a filha se mudou de Curitiba (PR) para Guarujá com o namorado, aproximadamente três meses antes de sumir. A mãe afirmou que a jovem tinha antecedentes por tráfico de drogas na adolescência, mas ressaltou que, até onde sabia, ela estava trabalhando na praia e não tinha mais envolvimento com o crime.
As investigações apontaram que a vítima foi arrebatada e morta por integrantes do crime organizado da região, com apoio de um motorista de aplicativo e de um casal. Os quatro presos em fevereiro incluem:
- Um homem e uma mulher, amigos da vítima, que estavam em um churrasco quando os criminosos chegaram e, no dia seguinte, descartaram pertences dela para dificultar as investigações.
- Um integrante da facção criminosa envolvido na execução.
- Um motorista de aplicativo que transportou envolvidos ao Paraná, motivo ainda sob investigação.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o caso segue em andamento, com esforços concentrados na elucidação total dos fatos e na localização do corpo de Maria Eduarda.



