Irã anuncia ataque ao gabinete de Netanyahu; Israel nega feridos e tensão cresce
Irã ataca gabinete de Netanyahu; Israel nega feridos

Irã reivindica ataque direto ao gabinete de Benjamin Netanyahu em Tel Aviv

A Guarda Revolucionária do Irã assumiu publicamente a autoria de um ataque com mísseis contra o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, localizado em Tel Aviv, além do quartel-general do comandante da Força Aérea de Israel. O comunicado oficial, divulgado pela agência de notícias iraniana Fars nesta segunda-feira, 2 de março de 2026, descreve a operação como um ataque "direcionado e surpresa" em retaliação aos eventos do último fim de semana.

Detalhes técnicos e reações imediatas

Segundo as informações fornecidas pelo exército ideológico da República Islâmica, os mísseis utilizados foram do modelo Kheibar, apresentado e testado em maio de 2023. Este artefato possui um alcance impressionante de 2.000 quilômetros e capacidade para transportar ogivas de até 1.500 quilogramas. A mídia iraniana chegou a especular que o destino de Netanyahu estava "envolto em incerteza", embora não exista nenhuma confirmação independente sobre o estado de saúde do líder israelense.

Por outro lado, Israel foi rápido em responder, afirmando categoricamente que não houve feridos como resultado do ataque. As Forças de Defesa de Israel (IDF) emitiram um comunicado alertando sobre a detecção de novos mísseis lançados do Irã em direção ao território israelense, com os sistemas de defesa em plena operação para interceptar as ameaças. Jornalistas da Agência France-Presse (AFP) relataram uma série de novas explosões em Jerusalém nesta mesma segunda-feira, aumentando o clima de apreensão na região.

Contexto de retaliação e escalada de tensões

Este ataque iraniano é uma resposta direta aos bombardeios realizados por Israel e Estados Unidos no último sábado, que resultaram na morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e de vários chefes militares importantes. A campanha conjunta entre Washington e Tel Aviv já causou a morte de pelo menos 555 pessoas no Irã, de acordo com a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano. Do lado israelense, nove cidadãos perderam a vida devido às retaliações, enquanto cinco pessoas em países do Golfo – uma no Kuwait, três nos Emirados Árabes Unidos e uma no Bahrein – foram mortas por abrigarem bases militares americanas.

A tensão no Oriente Médio atingiu um novo patamar, com ambos os lados adotando posturas firmes e intransigentes. Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional de Teerã, declarou publicamente que o Irã "não negociará com os Estados Unidos", contradizendo afirmações anteriores do ex-presidente americano Donald Trump, que sugeriu que as novas lideranças iranianas estariam dispostas a retomar as conversações após o ataque. Em uma publicação na rede social X, Larijani negou veementemente as informações da imprensa internacional que indicavam tentativas de diálogo por parte das autoridades iranianas com o governo Trump.

Implicações regionais e perspectivas futuras

A situação permanece extremamente volátil, com a possibilidade de novos confrontos pairando no ar. A escalada militar representa uma das mais graves crises na região nas últimas décadas, envolvendo potências locais e internacionais. Especialistas alertam para o risco de uma guerra mais ampla, que poderia desestabilizar ainda mais o já frágil equilíbrio geopolítico do Oriente Médio.

Enquanto isso, a população civil de ambos os países vive sob constante ameaça, com sirenes de alerta soando frequentemente e abrigos sendo utilizados de forma recorrente. A comunidade internacional observa com preocupação os desdobramentos, temendo que a crise possa se expandir para além das fronteiras do Irã e de Israel, afetando a segurança global e os mercados internacionais de petróleo e commodities.