Irã afirma abertura a inspeções nucleares, mas rejeita exigências excessivas dos EUA
O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, declarou nesta quarta-feira (11) que seu país está pronto para se submeter a inspeções internacionais que demonstrem o caráter pacífico de seu programa nuclear. A afirmação foi feita durante as comemorações do 47º aniversário da Revolução Islâmica, em um contexto marcado por crescentes tensões com os Estados Unidos.
"Não buscamos nos dotar de armas nucleares. Já declaramos isso em repetidas ocasiões e estamos dispostos a todo tipo de inspeções", afirmou Pezeshkian, reforçando a posição oficial do Irã. No entanto, o mandatário foi enfático ao rejeitar pressões externas: "Nosso país, o Irã, não cederá às suas exigências excessivas. Nosso Irã não cederá à agressão, mas seguimos dialogando com todas as nossas forças com os países vizinhos para instaurar a paz".
Trump ameaça ação "muito dura" e EUA intensificam pressão militar
Enquanto o Irã busca uma solução diplomática, o presidente norte-americano Donald Trump adotou um tom mais agressivo. Em entrevista ao site Axios na terça-feira (10), Trump afirmou que pode enviar mais um porta-aviões ao Oriente Médio e adotar uma medida "muito dura" contra o Irã caso as negociações fracassem.
"Da última vez, eles não acreditaram que eu faria isso", disse Trump, referindo-se aos ataques norte-americanos contra instalações nucleares iranianas em junho. "Ou chegaremos a um acordo ou teremos que fazer algo muito duro como da última vez", completou o presidente, que se mostrou otimista com as negociações atuais, mas não descartou a opção militar.
Negociações em andamento com divergências fundamentais
Estados Unidos e Irã realizaram uma primeira rodada de discussões na sexta-feira (6), em Omã, com foco no programa nuclear iraniano. O governo norte-americano exige que Teerã limite ou suspenda o enriquecimento de urânio, temendo que o país esteja próximo de desenvolver uma arma nuclear – alegação veementemente negada pelo Irã, que insiste nos fins pacíficos do programa.
Além da questão nuclear, os Estados Unidos pressionam o Irã em outras frentes:
- Limitação do alcance de mísseis balísticos
- Encerramento do financiamento a grupos armados no Oriente Médio
- Interferência em questões internas do país
O governo iraniano, por sua vez, afirma estar disposto a negociar um acordo, mas rejeita negociações sob pressão militar e se recusa a discutir temas além da questão nuclear.
Manobras militares dos EUA aumentam tensão na região
A pressão militar norte-americana se intensificou com o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln ao Oriente Médio em janeiro. Trump justificou a decisão como uma medida de "precaução" para monitorar o governo iraniano "muito de perto", embora tenha afirmado preferir que "nada aconteça".
Na quinta-feira (5), os Estados Unidos realizaram manobras militares significativas perto da costa do Irã. Caças decolaram do Abraham Lincoln e realizaram sobrevoos na região, em uma demonstração de força coordenada pelo Comando Central das Forças Armadas.
O USS Abraham Lincoln, que funciona como um "aeroporto flutuante" capaz de lançar até quatro aviões por minuto, tem histórico de atuação na região:
- Participação na guerra do Afeganistão após os atentados de 11 de setembro de 2001
- Apoio a operações contra o grupo rebelde Houthis em 2024
- Manobras conjuntas com bombardeiros B-52H Stratofortress em junho de 2019
A embarcação abriga esquadrões de caças F-35 Lightning II e F/A-18 Super Hornet, com capacidade para transportar até 90 aeronaves entre aviões e helicópteros.
Contexto diplomático complexo e perspectivas futuras
As negociações atuais ocorrem em um ambiente consideravelmente diferente das tentativas fracassadas do primeiro semestre de 2025. Segundo Trump, desta vez o Irã "deseja muito fechar um acordo", o que poderia indicar uma abertura para concessões mútuas.
No entanto, as posições permanecem distantes. Enquanto o Irã insiste em sua soberania e direito a um programa nuclear pacífico, os Estados Unidos mantêm uma postura de força militar combinada com exigências abrangentes que vão além do aspecto nuclear.
O diálogo entre os dois países deve ser retomado após a primeira rodada em Omã, mas o cenário permanece incerto. A combinação de declarações conciliatórias por parte do Irã com ameaças militares dos EUA cria um equilíbrio delicado que testará a capacidade diplomática de ambas as nações nas próximas semanas.



