Ausência dos hutis na guerra do Oriente Médio surpreende especialistas
Os rebeldes hutis do Iêmen, aliados estratégicos do Irã e conhecidos por seus ataques contra rotas marítimas e nações do Golfo, permanecem fora do conflito em curso no Oriente Médio, uma situação que contrasta marcadamente com o envolvimento de outros grupos armados pró-iranianos. Enquanto milícias como o Hezbollah, no Líbano, e facções xiitas no Iraque já se juntaram aos combates, os hutis mantêm uma postura cautelosa, focada em suas prioridades internas e receosa de retaliações severas por parte dos Estados Unidos e de Israel.
Pronunciamento ameaçador, mas sem ação concreta
Na semana passada, o líder huti Abdul Malik al-Houthi declarou em pronunciamento televisionado que o grupo estava "pronto para atacar a qualquer momento", caso os desenvolvimentos no conflito justificassem tal ação. "Em relação à escalada e ação militar, nossos dedos estão no gatilho", afirmou. No entanto, até o momento, não houve nenhum anúncio formal de entrada na guerra, nem movimentos militares significativos que indiquem um engajamento direto.
Interesses internos e medo de retaliações explicam a cautela
Especialistas apontam que, diferentemente de outros grupos do chamado "eixo da resistência" iraniano, os hutis não seguem cegamente a liderança religiosa de Teerã. Suas ações são guiadas principalmente por objetivos internos no Iêmen, um país que enfrenta graves dificuldades econômicas e uma frágil situação política. Além disso, uma entrada aberta na guerra poderia desencadear ataques intensos contra suas posições, não apenas de Israel e dos EUA, mas também da Arábia Saudita, com quem mantiveram um conflito prolongado.
Histórico do grupo rebelde iemenita
Os hutis, também conhecidos como Ansarallah, são um movimento político, militar e religioso baseado no norte do Iêmen, liderado pela família Houthi. Fundado por Hussein al-Houthi, o grupo ganhou força após a invasão americana ao Iraque em 2003, adotando um lema anti-Estados Unidos e anti-Israel. Sua trajetória inclui:
- Tomada da província de Saada em 2011 durante a Primavera Árabe.
- Ocupação de partes da capital Sanaa em 2014, deflagrando uma guerra civil.
- Conflito direto com a Arábia Saudita a partir de 2015.
- Ataques a navios no Mar Vermelho e contra Israel em 2023, em apoio ao Hamas.
Após anos de combates, assinaram um cessar-fogo com os sauditas em 2022, que foi revogado meses depois, mas sem um retorno à escalada total. Sua atuação recente nas tensões regionais demonstra capacidade ofensiva, mas a decisão de não entrar na guerra atual reflete uma estratégia calculada de preservação.
