Hezbollah propõe trégua de uma semana a Israel em meio a negociações tensas
O grupo fundamentalista xiita libanês Hezbollah anunciou, através da TV Al-Mayadeen, uma proposta de trégua de uma semana a Israel, com início às 0h desta quinta-feira (16, 18h em Brasília). A medida será analisada pelo gabinete do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu, conforme informado pela mídia israelense. Esta iniciativa ocorre em um contexto de pressões regionais e internacionais, com o Irã buscando estender seu próprio cessar-fogo com os Estados Unidos.
Contexto geopolítico e pressões iranianas
Segundo a Al-Mayadeen, a proposta de trégua foi informada por Teerã, que visa adiar em pelo menos duas semanas o fim de seu cessar-fogo com os EUA. Os combates entre Hezbollah e Israel cessaram na semana passada, mas o prazo dado pelo ex-presidente americano Donald Trump para um acordo expira na próxima terça-feira (21). Enquanto isso, o Irã recebeu uma delegação liderada por Asim Munir, chefe militar do Paquistão, para enviar uma nova proposta de conversa com os americanos. As negociações envolvem questões espinhosas, como a capacidade iraniana de produzir urânio enriquecido e a livre navegação no estreito de Hormuz.
Resposta israelense e ocupação do sul do Líbano
Mantendo sua tradição de negociar sob pressão, o governo israelense afirmou que manterá suas posições no sul do Líbano, área que vem desocupando para criar uma zona tampão desde sua fronteira até o rio Litani, a uma distância máxima de 30 km do território israelense. O ministro da Defesa, Israel Katz, descreveu a região como uma "zona da morte" para o Hezbollah, que historicamente ataca o norte de Israel a partir de posições libanesas. Netanyahu não incluiu o Hezbollah no cessar-fogo, destacando que o grupo, fundado em 1982 durante a ocupação israelense do Líbano, atacou Israel logo após o início do conflito atual.
Negociações diretas entre Israel e Líbano
Em uma ação dupla, Israel lançou ataques intensos contra o Líbano após a trégua com o Irã, resultando em mais de 300 mortes em um único dia, e abriu negociações diretas com o governo libanês pela primeira vez desde 1993, excluindo o Hezbollah. A primeira rodada de conversas, com mediação dos EUA, ocorreu em Washington na quarta-feira (14). No entanto, o Hezbollah se opõe a essas negociações, temendo que visem seu desarmamento. O deputado do grupo, Hassan Fadlallah, alertou que conversas sem o Hezbollah levariam ao fracasso e possivelmente a uma nova guerra civil no Líbano.
Implicações políticas e militares
Uma leitura possível da proposta de trégua é que, além da pressão iraniana, o Hezbollah busca preservar suas capacidades militares, enfraquecidas após a guerra de 2024 com Israel. Para Netanyahu, acabar com a ameaça na fronteira norte é um prêmio de guerra maior do que o conflito com o Irã, podendo servir como trunfo para as eleições parlamentares de outubro. Se perder as eleições, Netanyahu enfrenta risco de prisão devido a investigações por corrupção. Para o Líbano, esta é uma oportunidade única, embora trágica, com mais de 3.500 ataques israelenses ao Hezbollah até agora.
Desafios futuros e cenários incertos
A ocupação anunciada do sul do Líbano por Israel serviria como moeda de troca simbólica, com a retirada condicionada à garantia de que o Hezbollah não usará a região para ataques. No entanto, os fundamentalistas podem resistir ao processo, levando a um conflito doméstico, ou aceitar formalmente o desarmamento enquanto buscam se reequipar no futuro. Os combates continuaram nesta quarta-feira, com pelo menos nove mortos no Líbano e mais de 30 foguetes e drones lançados contra Israel, destacando a volatilidade da situação.



